Saúde

Queda na Cobertura de Pré-natal: Impacto em Indígenas e Mulheres com Baixa Escolaridade no Brasil

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2026

Apesar de o Brasil registrar que 99,4% das gestantes realizam ao menos uma consulta de pré-natal, a continuidade do acompanhamento ao longo da gravidez revela desigualdades importantes no acesso à saúde materna.

Um estudo elaborado por pesquisadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas, em parceria com a organização Umane, indica que a cobertura do pré-natal cai de 99,4% na primeira consulta para 78,1% até a sétima consulta, patamar considerado referência mínima para o acompanhamento adequado da gestação.

O levantamento, baseado em mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos em 2023, mostra que o início precoce do acompanhamento ainda é um desafio, especialmente quando não ocorre até a 12ª semana de gestação, como recomendado.

Os dados revelam que a escolaridade é um dos principais fatores associados à conclusão do pré-natal. Entre gestantes com maior nível de instrução, 86,5% conseguem completar o acompanhamento. Já entre aquelas com menor escolaridade, o índice cai para 44,2%.

A desigualdade se intensifica quando combinados fatores sociais e étnico-raciais. Entre mulheres indígenas com baixa escolaridade, apenas 19% completam o número recomendado de consultas, enquanto entre mulheres brancas com maior nível de escolaridade o percentual chega a 88,7%.

De forma geral, o estudo aponta que 51,5% das mulheres indígenas finalizam o pré-natal, contra 84,3% das mulheres brancas, 75,7% das mulheres pretas e 75,3% das pardas. Em termos de abandono, a diferença também é expressiva, com índices significativamente mais altos entre indígenas.

As desigualdades regionais também aparecem no levantamento. Na Região Norte, 63,3% das gestantes têm o pré-natal plenamente realizado. No Nordeste, o índice é de 76,1%, e no Centro-Oeste, 77%. As melhores taxas foram observadas no Sudeste, com 81,5%, e no Sul, com 85%.

Outro ponto de atenção são as gestantes adolescentes. Entre mulheres com menos de 20 anos, apenas 67,7% completam o acompanhamento, enquanto entre gestantes acima de 35 anos o índice sobe para 82,6%.

Segundo os pesquisadores, o avanço recente nas políticas públicas inclui a ampliação do número de consultas recomendado, medida reforçada com estratégias voltadas à redução da mortalidade materna, especialmente entre mulheres negras.

A pesquisadora responsável pelo estudo destaca que medidas estruturais são essenciais para reduzir as desigualdades. Entre elas estão o combate ao racismo estrutural, ações voltadas a adolescentes e maior orientação sobre a importância do acompanhamento desde o início da gestação.

“É esse apoio, esse vínculo, essa captação ativa dessa gestante que vai melhorar a navegação dela para ela retornar às consultas”, afirmou a pesquisadora.

Especialistas também apontam que a efetividade do pré-natal depende de fatores como acesso ao transporte, fortalecimento do vínculo com equipes de saúde e atuação mais ativa dos serviços públicos na busca das gestantes que estão fora do acompanhamento regular.

O pré-natal tem como objetivo identificar precocemente doenças e condições que possam afetar a gestação, permitindo intervenções que reduzam riscos para a mãe e o bebê. O acompanhamento também inclui orientações sobre amamentação e cuidados após o nascimento.

De acordo com recomendações técnicas, as consultas devem ocorrer mensalmente até a 28ª semana, a cada 15 dias entre a 28ª e a 36ª semana e semanalmente no período final da gestação. Exames laboratoriais e de imagem também fazem parte da rotina de acompanhamento, conforme avaliação clínica.

Fonte: cenariomt

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