Março de 2026 marcou uma inflexão no mercado de açúcar, com a reversão parcial da tendência de queda observada nos meses anteriores. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco no estado de São Paulo iniciou o mês na faixa de R$ 98,00 por saca de 50 quilos e encerrou a R$ 105,46/sc, refletindo um movimento de recuperação nos preços.
A valorização foi sustentada principalmente pela oferta mais restrita, característica do período de entressafra, aliada à retomada do interesse por parte dos compradores. Esse cenário contribuiu para maior firmeza nas negociações ao longo do mês, interrompendo o ciclo de desvalorização que vinha predominando no mercado.
No ambiente internacional, a volatilidade ganhou força diante das tensões envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os desdobramentos desse conflito passaram a impactar diretamente variáveis relevantes para o setor, como as cotações do petróleo, a logística marítima e os custos de insumos.
Esse contexto externo tem potencial para influenciar o planejamento das usinas brasileiras, especialmente no que diz respeito ao mix produtivo da safra 2026/27, que envolve a decisão entre a produção de açúcar e etanol. A relação com o mercado de energia, intensificada pelas oscilações no petróleo, tende a ganhar ainda mais peso nas estratégias do setor.
Diante desse cenário, o mercado de açúcar entra no novo ciclo com uma combinação de fundamentos internos mais firmes e um ambiente global marcado por incertezas, fatores que devem continuar guiando a formação de preços nos próximos meses.
Fonte: cenariomt





