A regulamentação da profissão de doula, sancionada recentemente no Brasil, estabeleceu um marco nacional para a atuação dessas profissionais e ampliou sua integração ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida unifica regras que antes variavam entre estados e municípios e foi recebida de forma positiva por associações da categoria.
A nova legislação define de maneira ampla as atribuições das doulas, organizando sua atuação em três fases: pré-parto, parto e pós-parto. Ao mesmo tempo, delimita sua função dentro da equipe multiprofissional, reforçando que não cabe a essas profissionais realizar procedimentos médicos, fisioterápicos ou de enfermagem, nem prescrever ou administrar medicamentos.
Segundo representantes da categoria, essa delimitação não reduz a importância do trabalho, mas contribui para maior segurança e cooperação entre os diferentes profissionais envolvidos na assistência ao parto, como médicos, enfermeiros, obstetras e técnicos de enfermagem.
Para a diretora de associações da área, o reconhecimento legal fortalece o papel da doula como agente de apoio emocional e informativo, especialmente no acompanhamento de gestantes em situação de vulnerabilidade. Ela destaca que a presença da doula contribui para um cuidado mais humanizado e para o fortalecimento dos vínculos familiares durante o processo de gestação e parto.
Especialistas da área de enfermagem também avaliam a regulamentação de forma positiva. Representantes do Conselho Federal de Enfermagem destacam que a integração das doulas ao sistema de saúde pode reforçar práticas de humanização do parto, desde que cada profissão mantenha suas atribuições bem definidas e respeitadas.
Atuação antes do parto
A atuação da doula começa ainda no pré-natal, com foco em acolhimento, orientação e suporte emocional. Nesse período, elas auxiliam a gestante e sua família na compreensão das etapas do parto e no fortalecimento da autonomia da mulher durante o processo.
Além disso, as doulas contribuem na indicação de informações e na construção de um ambiente de confiança entre a gestante e a rede de apoio, facilitando escolhas mais conscientes ao longo da gestação.
Profissionais da área destacam que a regulamentação também ajuda a reduzir resistências ainda existentes em alguns serviços de saúde, onde há interpretações equivocadas sobre a atuação das doulas em relação às equipes médicas.
Durante o trabalho de parto
No momento do parto, a doula atua com suporte físico e emocional, oferecendo técnicas não farmacológicas para alívio da dor, além de orientar posições e movimentos que favoreçam o conforto da gestante.
Outro papel importante é facilitar a comunicação entre a parturiente, sua família e a equipe de saúde, contribuindo para decisões mais seguras e alinhadas ao plano de parto previamente construído.
Especialistas ressaltam que essa mediação pode ser fundamental em momentos de maior tensão, garantindo mais tranquilidade e confiança durante o processo.
Pós-parto e continuidade do cuidado
A atuação da doula não se encerra com o nascimento. No pós-parto, essas profissionais continuam oferecendo suporte à mãe e ao bebê, auxiliando na adaptação à nova rotina, no cuidado inicial com a criança e em orientações sobre amamentação.
Esse acompanhamento busca tornar o período mais leve e seguro, reduzindo inseguranças comuns dessa fase e fortalecendo o bem-estar da família.
De acordo com especialistas e representantes da categoria, a regulamentação representa um avanço institucional e abre caminho para uma maior consolidação da doula dentro das políticas públicas de saúde, especialmente no fortalecimento da assistência humanizada no SUS.
Fonte: cenariomt





