Os preços do algodão em pluma seguem em trajetória de alta no Brasil, atingindo o maior patamar nominal desde o fim de julho de 2025, conforme o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias), do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O movimento reflete principalmente a sustentação das cotações no mercado internacional e a postura mais cautelosa dos vendedores brasileiros durante o período de entressafra.
Além desses fatores, o cenário de valorização também é influenciado pelos preços elevados do petróleo e pelas condições climáticas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, que impactam diretamente a oferta e as expectativas globais para a commodity.
No mercado spot, as negociações seguem pontuais e focadas, sobretudo, na reposição imediata de estoques. Segundo o Cepea, o volume de negócios mais expressivo continua limitado pelo desencontro entre as expectativas de compradores e vendedores, o que mantém o ritmo de comercialização reduzido.
Do lado da demanda, o cenário é mais desafiador. Indústrias relatam dificuldades em repassar os aumentos recentes da matéria-prima para os preços dos fios e demais produtos manufaturados. Esse cenário é agravado pelo enfraquecimento das vendas no varejo, que tem levado a uma postura mais cautelosa nas compras ao longo da cadeia produtiva.
Entre os principais fatores que restringem o consumo estão os juros elevados, o alto nível de endividamento das famílias e a inflação persistente, que limitam o poder de compra e reduzem a demanda por produtos têxteis.
Com isso, o mercado de algodão no país segue marcado por um contraste: preços firmes sustentados pela oferta e pelo cenário externo, frente a uma demanda fragilizada, o que tende a manter o ambiente de negociações travadas no curto prazo.
Fonte: cenariomt





