Com recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o grupo de teatro cigano criado pelo projeto “Rarripe – Ciganos em Cena” iniciou suas atividades em fevereiro deste ano, em Rondonópolis, conforme divulgado pela Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT). A formação reúne 14 integrantes da comunidade cigana local, com encontros semanais realizados aos sábados no Salão Comunitário do Jardim Iguaçu.
Conforme apurado pela reportagem, a iniciativa busca estruturar o primeiro grupo de teatro cigano do Brasil composto integralmente por atores e atrizes ciganos. A proposta inclui oficinas práticas e teóricas sobre iluminação, sonorização, figurino e expressão corporal, com o objetivo de montar um espetáculo inspirado na cultura cigana para circulação em eventos culturais.
O projeto integra ações contempladas pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), que destinou mais de R$ 3,7 milhões a 31 iniciativas no estado. Cada projeto selecionado recebeu R$ 120 mil, segundo dados oficiais da Secel. A medida faz parte da política pública federal que visa descentralizar o acesso à cultura e fortalecer grupos historicamente marginalizados.
No caso do grupo de teatro cigano, a maioria das participantes é formada por mulheres com mais de 50 anos, o que amplia o alcance social da iniciativa. A proposta também dialoga com o direito constitucional à cultura, previsto no artigo 215 da Constituição Federal, que garante o acesso e a valorização das manifestações culturais brasileiras.
Origem e proposta do projeto
Um dos idealizadores, Rodrigo Zaiden, afirmou que a ideia surgiu em 2017, após contato com experiências semelhantes em Portugal. Segundo ele, o projeto evoluiu a partir de um grupo de dança já existente na comunidade cigana de Rondonópolis, ampliando-se para o teatro como ferramenta de expressão e identidade cultural.
“Mais do que preparar para apresentações, o teatro proporciona uma vivência profunda, estimulando criatividade e convivência”, destacou Zaiden, em nota divulgada pela AEEC-MT.
Participantes também relatam impactos positivos. Após a primeira aula, Amanda Pinheiro ressaltou que a atividade contribui para o desenvolvimento físico e mental, além de incentivar a criatividade e a concentração.
Significado cultural e combate ao preconceito
O nome “Rarripe”, que na língua Chibe pode significar “ilusão” ou “ficção”, foi escolhido como forma de questionar estigmas históricos associados à população cigana. Segundo a organização, a proposta busca ressignificar narrativas e combater preconceitos ainda presentes no imaginário social.
O curso também está vinculado ao grupo de Danças Tradição Cigana, ativo há cerca de 15 anos em Rondonópolis, fortalecendo a continuidade das práticas culturais da comunidade.
Agenda das atividades
- Agosto: 02, 08, 22 e 29
- Setembro: 05, 12, 19 e 26
- Outubro: 03, 10, 17 e 24
- Novembro: 07, 14, 21 e 28
As aulas ocorrem sempre aos sábados, das 16h às 19h, com foco na formação contínua do elenco e na preparação do espetáculo final.
Iniciativas como o grupo de teatro cigano em Mato Grosso evidenciam o papel das políticas públicas na promoção da diversidade cultural e inclusão social. A população pode acompanhar futuras apresentações por meio das agendas culturais locais.
Reportagem baseada em informações da AEEC-MT e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer.
Fonte: cenariomt




