A colheita da safra de verão do milho entra na reta final no Brasil ao mesmo tempo em que a semeadura da segunda safra 2025/26 está praticamente concluída, marcando uma transição importante no calendário agrícola. Nesse momento, produtores e agentes do setor passam a concentrar as atenções nas condições climáticas, especialmente diante do cenário de calor intenso e chuvas irregulares que já começam a impactar regiões estratégicas para o desenvolvimento das lavouras.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a estimativa inicial aponta que a produção da segunda safra 2025/26 deverá ser levemente inferior à registrada no ciclo anterior, 2024/25, embora ainda permaneça em patamar elevado. No entanto, os pesquisadores alertam que a irregularidade das precipitações nos últimos dias, somada à previsão de baixos volumes de chuva e às altas temperaturas em estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, tem aumentado o nível de preocupação entre os produtores.
Esse cenário climático adverso pode comprometer fases importantes do desenvolvimento do milho, sobretudo em áreas onde o plantio ocorreu fora da janela ideal ou onde a umidade do solo já começa a apresentar sinais de déficit. A combinação de calor excessivo e escassez hídrica tende a afetar diretamente o potencial produtivo, o que mantém o mercado atento às atualizações meteorológicas e às revisões de safra.
No mercado físico, o ritmo de negociações segue lento. Segundo o Cepea, a demanda enfraquecida tem levado consumidores a priorizarem o uso dos estoques já disponíveis, realizando compras apenas de forma pontual. Esse comportamento também está relacionado ao cenário de oferta, uma vez que compradores acompanham os bons volumes dos estoques de passagem da temporada 2024/25 e a expectativa de uma safra de verão robusta em 2025/26, fatores que sustentam a projeção de preços mais baixos nas próximas semanas.
Por outro lado, muitos vendedores adotam uma postura mais cautelosa e passaram a restringir a oferta no mercado spot, aguardando uma possível reação nos preços. Essa estratégia está diretamente ligada às incertezas climáticas, que ainda podem alterar o quadro produtivo e, consequentemente, influenciar a dinâmica de oferta e demanda no curto prazo.
Diante desse cenário, o mercado do milho segue em compasso de espera, equilibrando expectativas entre fundamentos de oferta aparentemente confortáveis e os riscos climáticos que podem redefinir o comportamento dos preços ao longo das próximas semanas.
Cotações do Milho
Fonte: cenariomt





