O movimento de valorização da mandioca perdeu força ao longo da última semana, refletindo o aumento da oferta em algumas regiões produtoras. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, produtores intensificaram a colheita e a comercialização, elevando a disponibilidade da raiz para as indústrias e reduzindo o impulso de alta nos preços.
A estratégia dos produtores está diretamente ligada à necessidade de capitalização e à liberação de áreas para o planejamento das próximas safras, especialmente o ciclo 2026/28. Esse comportamento amplia a oferta no curto prazo e altera a dinâmica do mercado, que vinha sendo sustentado por um ritmo mais restrito de entregas.
Para as próximas semanas, o Cepea aponta que a necessidade de caixa deve seguir como fator determinante para o avanço da oferta. Ao mesmo tempo, a demanda industrial permanece aquecida, impulsionada principalmente pela recomposição de estoques, o que tende a dar suporte ao escoamento da produção, ainda que com menor pressão altista sobre os preços.
No horizonte de médio prazo, o clima volta a ganhar protagonismo nas análises do setor. Projeções da NOAA indicam alta probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño a partir de junho, com possível intensificação em agosto. Caso o cenário se confirme, a tendência é de redução das chuvas na região Centro-Sul do Brasil, o que pode impactar o desenvolvimento das lavouras e influenciar a oferta futura.
Diante desse contexto, o mercado da mandioca segue dividido entre a pressão de curto prazo, causada pelo aumento da oferta, e as incertezas climáticas que podem redesenhar o cenário produtivo nos próximos meses.
Fonte: cenariomt





