A Justiça concedeu liberdade provisória ao servidor da Câmara Municipal de Sorriso, Antonio Jocemar Pedroso da Silva, conhecido como “Professor Jocemar”, preso durante a Operação Falso Mestre, da Polícia Civil, que investiga supostas fraudes bancárias e esquemas ilegais envolvendo financiamentos de veículos em Mato Grosso.
Segundo informações apuradas pela Polícia Civil, o investigado foi alvo de mandado de busca e apreensão na terça-feira (19). Durante o cumprimento da ordem judicial, os policiais encontraram cerca de oito gramas de entorpecentes que, conforme relato apresentado pela defesa, seriam para uso próprio.
Ainda de acordo com os investigadores, outras porções de drogas foram localizadas na divisa entre o imóvel de Jocemar e um terreno vizinho. O servidor alegou não ser proprietário do material e afirmou que os entorpecentes pertenceriam aos donos do lote ao lado, que já teriam sido alvos de ações policiais anteriores.
Durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (20), a Justiça acolheu o pedido da defesa e determinou a soltura do investigado mediante medidas cautelares. Entre as determinações estão a proibição de envolvimento em novos crimes, restrição ao uso de drogas, comparecimento obrigatório aos atos processuais e pagamento de fiança equivalente a três salários mínimos.
Conforme a Polícia Civil, a Operação Falso Mestre investiga um grupo suspeito de atuar em fraudes bancárias, falsificação documental e retirada irregular de veículos apreendidos. O delegado Thiago Meira, responsável pelas investigações em Sorriso, afirmou que há indícios da participação de pessoas ligadas a cartórios, Guarda Municipal, Câmara Municipal e empresas terceirizadas responsáveis por pátios de veículos.
“Tudo era uma rede para conseguir retirar os veículos do pátio e vender para terceiros sem passar pelos trâmites normais”, declarou o delegado.
As investigações também apontam que o grupo utilizava procurações fraudulentas e documentos falsificados para liberar veículos apreendidos. Segundo a Polícia Civil, os investigados poderão responder por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos, associação criminosa, corrupção e peculato.
Investigação cita financiamentos fraudulentos
Segundo a Polícia Civil, “Professor Jocemar” já havia sido denunciado anteriormente por suposto estelionato envolvendo financiamentos de veículos realizados sem autorização da vítima. Conforme o boletim registrado, um homem relatou ter entregue documentos acreditando que faria matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA), mas posteriormente descobriu que dois veículos haviam sido financiados em seu nome.
As investigações identificaram movimentações financeiras, possíveis destinatários dos valores obtidos e atuação coordenada de suspeitos ligados à falsificação documental e regularização fraudulenta dos veículos.
Ao todo, as operações Eidolon e Falso Mestre resultaram no cumprimento de sete mandados de prisão, 16 mandados de busca e apreensão, bloqueios judiciais de contas bancárias, suspensão de funções públicas e outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
Em nota oficial, a Câmara Municipal de Sorriso informou que acompanha os desdobramentos da investigação e afirmou que adotará as providências administrativas cabíveis conforme a legislação vigente.
Fonte: cenariomt




