Cenário Agro

Preços dos derivados do leite aumentam devido à reação no campo: custos do produtor continuam sob pressão

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2026

O mercado de leite iniciou 2026 com sinais de recuperação nos preços ao produtor, ao mesmo tempo em que enfrenta pressões importantes nos custos e no comércio exterior. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada indicam que o setor vive um momento de recomposição, mas ainda distante dos níveis registrados no ano passado.

Em fevereiro de 2026, a chamada “Média Brasil” do leite captado registrou alta de 5,43%, atingindo R$ 2,1464 por litro — o segundo avanço mensal consecutivo. Apesar da recuperação, o valor ainda está 25,45% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, considerando os dados corrigidos pela inflação.

O movimento de alta reflete, principalmente, a menor oferta de leite no campo, típica do período e intensificada por uma postura mais cautelosa dos produtores em relação aos investimentos.

Derivados seguem valorizados no atacado

No mercado de derivados, o cenário também é de valorização. Em março, os preços no atacado paulista avançaram, impulsionados pela elevação do leite cru. A redução na disponibilidade de matéria-prima aumentou a disputa entre as indústrias, sustentando as cotações de produtos lácteos.

Segundo o Cepea, esse comportamento está diretamente ligado à sazonalidade da produção e ao ajuste na oferta, que tem limitado o volume disponível para processamento.

Importações crescem mais que exportações

No comércio exterior, o Brasil registrou aumento tanto nas importações quanto nas exportações de lácteos em março. No entanto, o avanço mais expressivo das compras externas deteriorou a balança comercial do setor.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que as importações cresceram 33,3% em relação a fevereiro, alcançando 242,65 milhões de litros em equivalente-leite. Já as exportações avançaram 11,2%, somando 5,6 milhões de litros na mesma unidade.

Esse desequilíbrio reforça a pressão sobre o mercado interno, especialmente em momentos de maior entrada de produtos estrangeiros.

Custos seguem em alta e preocupam

Apesar de relativa estabilidade nos preços da ração, os custos de produção continuam em elevação. Em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 0,46% na “Média Brasil”, impulsionado principalmente pelas despesas com operações agrícolas.

Com isso, o primeiro trimestre de 2026 acumulou alta de 2,11% no COE, reforçando o desafio de manter a rentabilidade em meio a um cenário ainda instável.

O conjunto de fatores indica que, embora haja recuperação nos preços, o produtor segue diante de um ambiente desafiador, marcado pela necessidade de equilibrar custos crescentes, mercado competitivo e oscilações na oferta e demanda.

Fonte: cenariomt

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