Os preços da maçã registraram queda significativa no último mês nas principais Centrais de Abastecimento do país, refletindo um cenário de maior oferta no mercado. De acordo com o 4º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a redução média ponderada foi de 8,89%, influenciada pela intensificação da colheita das variedades gala e fuji.
A expectativa para a atual safra da fruta é positiva, com projeção de aumento na produção em relação ao ciclo anterior. O desempenho é atribuído às condições climáticas favoráveis registradas no inverno passado, que proporcionaram um período prolongado de baixas temperaturas. Esse cenário favoreceu o acúmulo adequado de horas-frio pelas macieiras, fator essencial para garantir qualidade e boa coloração dos frutos.
Além da maçã, outras frutas também apresentaram recuo nos preços. A laranja teve queda média de 2%, mesmo com a proximidade do fim da safra no cinturão citrícola observada em março. Já o mamão registrou desvalorização em diversas regiões, puxada pelo aumento da oferta da variedade papaya, especialmente oriunda do norte do Espírito Santo e do sul da Bahia, enquanto a oferta do tipo formosa se manteve estável.
Na contramão, banana e melancia apresentaram valorização nas Ceasas. Os preços da banana subiram 10,56% na média ponderada mensal, movimento explicado pela menor oferta da variedade nanica em importantes regiões produtoras, como áreas de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, além da microrregião de Registro (SP) e do norte de Santa Catarina. Já a melancia teve alta de 10,81%, mesmo com aumento da oferta, sustentada pela boa demanda em entrepostos como Belo Horizonte e Campinas.
No segmento de hortaliças, o comportamento foi predominantemente de alta nos preços. A alface manteve a tendência de valorização iniciada em novembro, com avanço de 4,93%, influenciada pela redução de 9,4% no volume ofertado em março frente a fevereiro, além da demanda aquecida impulsionada pelas temperaturas elevadas.
A batata também registrou elevação expressiva pelo segundo mês consecutivo, com alta de 18,99% na média ponderada. O movimento foi puxado principalmente pela redução nos envios provenientes do Paraná e da Bahia, o que restringiu a oferta disponível no mercado.
O tomate apresentou uma das maiores altas do período, com avanço de 38,83%. O aumento está relacionado às temperaturas elevadas no final do ano passado, que aceleraram a maturação dos frutos e reduziram a capacidade de escalonamento da colheita, resultando em menor oferta atual e pressão sobre os preços.
Já a cebola teve elevação ainda mais intensa, com alta de 52,16% na média ponderada, reflexo da redução nos envios de Santa Catarina, indicando o encerramento da safra 2025/26 e abrindo espaço para a entrada do produto importado. A cenoura seguiu a mesma tendência, com valorização de 59,15%, impulsionada pela menor oferta e também pelo aumento nos custos de transporte, especialmente devido à alta dos combustíveis.
No cenário externo, as exportações brasileiras de hortigranjeiros apresentaram desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, o volume embarcado alcançou 337 mil toneladas, crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. Em termos de receita, o faturamento chegou a US$ 378,5 milhões, avanço de 18%, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O boletim também destaca o papel da Conab e das Ceasas como importantes instrumentos de apoio à agricultura familiar, atuando como espaços de capacitação e inserção de produtores no mercado, ampliando oportunidades e fortalecendo a comercialização em diferentes regiões do país.
Fonte: cenariomt





