O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) , mesmo com uma extensa lista de provas contra o executivo responsável pela administração da empreiteira originária da Bahia: ficou comprovado, inclusive pela confissĂŁo de Marcelo Odebrecht, o pagamento de propinas bilionárias a agentes polĂticos, a manutenção de uma contabilidade paralela e abertura de contas no exterior.
Toffoli — que já anulou todas as provas decorrentes do acordo de leniência da Odebrecht e suspendeu multas bilionárias da empreiteira e da J&F, empresa dos irmãos Batista — concluiu que existiu um “conluio processual” entre o ex-juiz Sergio Moro e a força-tarefa de Curitiba. “O que deveria ser feito legalmente para combater a corrupção foi realizado de forma clandestina e ilegal, colocando o órgão acusador e os réus na mesma categoria de condutas criminosas”, afirmou Toffoli em seu texto.
Marcelo, que foi presidente do grupo Odebrecht, foi preso em 2015 por ordem de Sergio Moro, que hoje é senador. Em 2016, Marcelo foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Depois da delação, sua pena foi reduzida para dez anos e, posteriormente, em 2022, o STF a reduziu para sete anos, pena já cumprida.
As investigações descobriram que a Odebrecht criou o Setor de Operações Estruturadas, conhecido como “departamento da propina”, em 2006, que foi responsável pelo pagamento de propinas e caixa 2. Esse setor foi dissolvido em julho de 2015, um mĂŞs depois da prisĂŁo de Marcelo Odebrecht e de outros executivos pela Lava Jato. A empresa admitiu o envolvimento de 415 polĂticos de 26 partidos.
Diretores de contratos, gerentes e lĂderes empresariais enviavam semanalmente demandas para o setor, utilizando planilhas do sistema MyWebDay e comunicação por e-mail atravĂ©s do sistema de intranet Drousys. Os pagamentos eram realizados por meio de contas secretas no exterior, como as propinas pagas a dirigentes da Petrobras, e por entregas de dinheiro em espĂ©cie no Brasil, feitas por operadores do mercado financeiro e doleiros, chamados de prestadores de serviços.
Em um acordo de leniĂŞncia com o MinistĂ©rio PĂşblico Federal (MPF), a Odebrecht forneceu planilhas que registravam propinas pagas a dezenas de polĂticos e funcionários pĂşblicos.
Na sua delação, Marcelo Odebrecht expĂ´s negociatas, tráfico de influĂŞncia, fraudes em licitações bilionárias, conluios e corrupção. Ele admitiu que pagou a polĂticos e partidos para obter favorecimento em contratos. Sua defesa alega agora que ele foi coagido a assinar a delação.
Em 2018, Marcelo Odebrecht entregou Ă Procuradoria-Geral da RepĂşblica (PGR) uma sĂ©rie de documentos que corroboraram suas confissões em delação premiada, incluindo a existĂŞncia de uma conta com R$ 300 milhões destinados ao PT, em benefĂcio de Lula, gerenciada pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Os documentos detalham pedidos de ajuda financeira para “terceiros, que direta ou indiretamente beneficiaram Lula (como o sĂtio de Atibaia, o filme Lula, o Filho do Brasil, ajuda financeira ao irmĂŁo, sobrinho etc.)”.
Fonte: revistaoeste




