Até quem nunca foi à Alsácia provavelmente já ouviu falar dela. Uma região que passou das mãos da França para a Alemanha algumas vezes nos últimos 160 anos, ela é um clássico das aulas de História para entender um pouco mais dos conflitos na Europa Ocidental ao longo dos séculos 19 e 20 – e esse rico (e sangrento) passado de disputas também ficou refletido naquilo que hoje são alguns dos atrativos turísticos da região: sua cultura e sua arquitetura.
Embora hoje pertença à França, a Alsácia é repleta de construções em estilo tipicamente associado aos costumes germânicos – algo que pode ser visto em abundância em Estrasburgo, sua capital. Além disso, é uma área renomada pelos seus vinhos premiados e vilas medievais que permanecem em pé, remetendo a tempos muito anteriores às guerras que colocaram sua identidade em disputa.
Legado franco-germânico é resultado da história de disputas
Os franceses chamam de Alsace. Os alemães, de Elsass. Ponto mais a leste do que hoje é o território da França, ela passou séculos como uma parte do Sacro Império Romano, o que a concedeu uma clara influência germânica. Foi em Estrasburgo, por exemplo, que Johannes Gutenberg começou a desenvolver de forma mais aperfeiçoada a imprensa, que revolucionou as comunicações – e a própria religião – a partir do século 15.
Esse controle alemão só começou a ser quebrado a partir do século 17. Foi nessa época que o reinado de Luís XIV buscou anexar suas terras à França, iniciando um processo que culminaria em refregas pelo controle da área nos séculos seguintes. Mesmo com muitos territórios pertencendo formalmente aos franceses, a longa permanência do poder germânico na área prevaleceu na língua, nos costumes e nas leis locais.
Não é de surpreender que a reconquista se tornou uma causa comum para justificar guerras entre vizinhos e, em 1871, o que hoje entendemos como Alemanha reanexou a região após a Guerra Franco-Prussiana. Mas não era o fim da história: a Primeira Guerra Mundial teve o controle da Alsácia como um dos focos mais explícitos de discórdia, e ela retornou aos franceses quando eles venceram o conflito.
Recuperá-la também foi um dos objetivos de Hitler e, durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães voltaram a fincar sua bandeira na região. Quando os Aliados triunfaram, porém, a França retomou o domínio sobre a Alsácia a partir de 1945, e vem sustentando essa situação desde então.
Atrações imperdíveis na Alsácia
As idas e vindas deixaram marcas indeléveis que tornam a Alsácia uma região única dentro da França, bem diferente da identidade nacional mais homogênea vista em outras partes do país. Estrasburgo, por si só, vale a visita para quem deseja sentir esse deslocamento histórico e geográfico: construções em estilo enxaimel, associadas tradicionalmente aos alemães, emolduradas por bandeiras da França.
No final do ano, Estrasburgo também se converte na “Capital do Natal”, sediando mercados natalinos semelhantes ao que se encontra no outro lado da fronteira. Nessa época e em outras, porém, vale a pena se aventurar em cidades menores: traçando suas origens no século 9, Colmar também é conhecida por seu mercado de Natal, e ainda tem uma área antiga que atrai visitantes por seus canais, o que lhe rendeu o apelido de Petite Venise, a Pequena Veneza.
Outro destino alsaciano que parece saído de um conto de fadas é a vizinha Riquewihr, que conserva a influência germânica até no nome: com apenas mil habitantes, a localidade conserva prédios praticamente intocados do século 16, sem novas construções, e também está incluída em roteiros que celebram outra tradição da região – o vinho.
Entusiastas do enoturismo podem percorrer a Route des Vins d’Alsace, que cobre 170 km em propriedades vitivinicultoras da região. A área é conhecida sobretudo pelos vinhos brancos, com castas que – nessa altura não é surpresa – também trazem referências alemãs no nome: especialidades locais incluem o Riesling e o Gewürztraminer, além do Pinot Gris.
Outra atração que justifica uma ida à Alsácia é o imponente castelo de Haut-Kœnigsbourg. Com suas origens datando provavelmente do século 12, a fortaleza se destaca pela localização privilegiada em um penhasco das montanhas Vosges: a 757 metros do nível do mar, o castelo garante uma vista panorâmica para a região, sendo um dos pontos turísticos mais visitados daquele pedaço.
Fonte: viagemeturismo





