Antes de Nobres se tornar um dos destinos mais conhecidos de Mato Grosso para quem busca contato com a natureza, o turismo na região ainda dava seus primeiros passos. Foi nesse cenário que o empresário Vicente Campos chegou ao município, em 2000, e começou a enxergar no potencial natural da região uma oportunidade para desenvolver o ecoturismo.
Proprietário do Aquário Encantado e um dos precursores da atividade em Nobres, Vicente conta que conheceu o município após ser convidado por um amigo, que era secretário de Turismo municipal na época. Até então, ele trabalhava com fretamento no Pantanal.
Ao visitar a região, o empresário identificou características naturais que, na avaliação dele, poderiam transformar Nobres em um destino turístico. Entre os elementos que chamaram sua atenção estavam as águas transparentes, os peixes, as cavernas, grutas e cachoeiras.
“Quando aqui visitei, percebi que aqui tinha as mesmas características de beleza, como de luz, tudo bonito, o solo um calcário, com água transparente, peixes, caverna, gruta e tudo mais, cachoeiras. Falei, isso aqui pode ser muito bonito lá na frente”, relembrou.
A percepção, porém, veio em uma época em que a região ainda apresentava outra realidade. Nobres estava inserida em uma área de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Segundo Vicente, o território fazia parte de uma antiga fazenda de 50 mil hectares, que teria sido transformada em uma área destinada à instalação de cerca de mil famílias.
Com a chegada das famílias, a região passou a ser marcada pela agricultura familiar. Para Vicente, desenvolver o turismo também significava trabalhar uma nova perspectiva sobre a atividade e sobre a preservação ambiental.
“Então, todas as áreas que estão dentro da área aqui está em cima de uma agricultura familiar. Então, até para mudar a cabeça deles e a preservação de tudo mais, levou-se um tempo para a gente conquistar isso”, afirmou.
A inspiração em Bonito
Depois de começar o trabalho de reconhecimento da região, Vicente e o irmão Toninho viajaram até Bonito, no Mato Grosso do Sul, para conhecer de perto como o município havia estruturado sua atividade turística.
A experiência serviu como referência para o desenvolvimento do modelo de Nobres, especialmente na organização da operação dos passeios e na relação entre os diferentes setores envolvidos no turismo.
Um dos mecanismos observados foi o sistema de voucher utilizado em Bonito. Na estrutura apresentada por Vicente, o turista reserva o passeio por meio de uma agência e, ao chegar ao atrativo, é acompanhado por um condutor local. O método hoje é adotado pela Secretaria de Turismo de Nobres.
Para o empresário, esse modelo permite integrar diferentes profissionais e negócios que fazem parte da cadeia turística.
“Então, realmente a cadeia produtiva nossa, agência, pousada, guia, atrativo, realmente isso dentro do contexto é o único município que tem esse formato”, disse.
A partir desse processo, Nobres passou a estruturar uma cadeia de serviços voltada ao ecoturismo. Pousadas, agências, guias e atrativos passaram a fazer parte de uma atividade que tem como principal elemento a natureza da região.
Entre os atrativos que ganharam destaque está o Aquário Encantado, empreendimento de Vicente Campos que se tornou uma das referências nos passeios de flutuação realizados no município.
O turismo de natureza também fez Nobres ganhar projeção entre visitantes de diferentes regiões do Brasil e de outros países. Segundo Vicente, dados da Secretaria Municipal de Turismo permitem acompanhar informações como origem dos visitantes, tempo de permanência e gastos realizados durante a estadia.
O empresário afirma ainda ter se surpreendido com a presença de turistas estrangeiros em agosto deste ano. Segundo ele, foram quase mil visitantes internacionais no período, entre americanos, alemães e chineses, além de turistas brasileiros.
Para Vicente, os números ajudam a demonstrar a dimensão que o turismo alcançou no município.
Hoje, Nobres é frequentemente associada ao ecoturismo e aos passeios de flutuação em águas cristalinas. O município também é chamado por alguns de “capital do ecoturismo de Mato Grosso”, em referência à força que o segmento ganhou na região.
Essa transformação, no entanto, começou antes de a cidade consolidar sua fama como destino turístico. Para empresários como Vicente, o processo passou por conhecer o território, identificar seu potencial, buscar referências em outros destinos e construir uma cadeia capaz de transformar os recursos naturais em uma atividade econômica ligada ao turismo.
Fonte: leiagora





