Turismo

Balneário em Nobres: turismo pedagógico com tecnologia e natureza para uma experiência inovadora

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2026

O que começou como um espaço de lazer às margens do rio, em uma propriedade rural de Nobres, se tornou uma inovadora proposta que une turismo, tecnologia e educação ambiental. O Balneário Água Doce criou um circuito de turismo pedagógico e científico que utiliza trilhas, QR Codes, pesquisas sobre fauna e flora e atividades interativas para transformar a visita em uma experiência de aprendizado.

A história do espaço começou há cerca de cinco anos, durante a pandemia de Covid-19, quando a proprietária, Cilbene Rocha, ex-funcionária pública, adquiriu a área inicialmente com a intenção de construir um sítio para passar os fins de semana. A propriedade possui cerca de 1 mil metros de margem de rio e, diante do interesse de pessoas que já buscavam a região para o turismo, a ideia mudou.

O primeiro projeto foi um balneário, com piscinas, acesso ao rio e alimentação baseada em pratos regionais, como costelinha de porco, galinha caipira com arroz e peixada cuiabana. Em seguida, veio a proposta de turismo rural, aproveitando a característica da propriedade e os animais que já faziam parte do espaço.

“Então a gente começou a acreditar, colocar na mão de Deus. Então no primeiro momento, a gente se pensou realmente num balneário, aonde as pessoas pudessem vir, né? Fazer o lazer com o rio, né?”, disse.

A proposta foi ganhando novos elementos. O espaço passou a receber animais domésticos e exóticos, como mini bovinos, patos, gansos, pavões, carneiros e avestruzes africanos. Depois, a propriedade também passou a atuar no acolhimento de animais silvestres machucados, a partir de um cadastro na Secretaria de Meia Ambiente (SEMA), segundo Cilbene.

Papagaios, araras, tucanos e araras-canindé estão entre as espécies que já passaram pelo local. A proprietária também cita animais como anta, tamanduá e ema entre os que já foram recebidos durante o trabalho.

Segundo Cilbene, os animais silvestres que permanecem no espaço são identificados e possuem documentação de controle. Ela afirma ainda que alguns animais já foram devolvidos à natureza após o período de recuperação.

A presença dos animais também passou a fazer parte da proposta de educação ambiental do balneário. A ideia era que a experiência de lazer fosse acompanhada por informações sobre os animais e sobre a preservação.

“Então a gente associou a parte do lazer para a educação ambiental”, afirmou.

Depois de cerca de dois anos trabalhando com o turismo rural, o espaço começou a agregar outras atividades, como redário e pesque-pague, com espécies como matrinxã e tabatinga. A proposta era ampliar as opções para famílias e criar atividades que não fossem direcionadas apenas às crianças.

Foi nesse momento que o Sebrae entrou no projeto, por meio de uma parceria com a Prefeitura de Nobres e a Secretaria Municipal de Turismo, segundo a proprietária. A consultoria levou à revisão do modelo do empreendimento e à busca por novas experiências que pudessem agregar valor ao espaço.

Uma das ideias foi criar um safari cenográfico. Em vez de utilizar animais vivos, o projeto passou a reproduzir espécies em esculturas, incluindo animais africanos e espécies do Cerrado de Mato Grosso.

Para isso, o balneário buscou o trabalho do artista plástico Jani Souza, apresentado por Cilbene como um profissional de atuação internacional. As esculturas são produzidas manualmente e incluem representações de animais como girafa, elefante, macaco e jacaré.

“Não é só uma forma. O safari cenográfico é a girafa em tamanho real, de 8, 10 m, é um elefante, é um macaco, é um jacaré”, explicou.

A proposta, porém, não parou na reprodução dos animais. O projeto desenvolvido com o Sebrae avançou para uma experiência de turismo pedagógico e científico, com circuitos educativos pensados para crianças e adultos.

A trilha possui estruturas de madeira e atividades pedagógicas. Segundo Cilbene, as instalações seguem normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com critérios relacionados a altura, cordas e peso. Durante o percurso, os visitantes encontram atividades como quebra-cabeças e jogos de identificação de animais.

Ao final da experiência, as crianças recebem um certificado de “guardião da natureza”, uma medalha e um livro com materiais relacionados ao que foi visto durante a visita.

A proposta também ganhou uma base de pesquisa com a participação da Universidade Federal de Mato Grosso. De acordo com Cilbene, uma equipe do campus de Sinop permaneceu 15 dias na propriedade para realizar um inventário da flora.

As árvores identificadas receberam placas com QR Codes. Ao acessar o código, o visitante pode encontrar informações sobre a espécie, como nome científico, nome popular, idade e fruto.

O levantamento também alcançou a fauna. O espaço passou a trabalhar com observação de aves voltada para crianças, atividade que a proprietária chama de “bird children”. As espécies identificadas nas pesquisas realizadas em diferentes períodos do ano são apresentadas em materiais espalhados pela propriedade.

As placas das aves também possuem QR Codes que permitem ouvir o canto dos animais. Com binóculos, os visitantes podem percorrer a trilha procurando pelas espécies identificadas durante o inventário.

A proposta já começou a ser utilizada por escolas. Segundo Cilbene, instituições particulares, municipais e estaduais procuraram o espaço e algumas visitas já foram agendadas. O local também recebeu universitários e outros grupos interessados em atividades de estudo.

A propriedade possui 67 hectares e a proprietária afirma que há planos de ampliar a trilha para atender também turistas estrangeiros. Segundo ela, o empreendimento já possui agenda com visitantes norte-americanos interessados nesse tipo de atividade.

Além das atividades pedagógicas, o balneário mantém a estrutura de lazer que marcou o início do empreendimento, com piscinas, rio, alimentação e espaços para famílias. A proposta agora é integrar esses diferentes produtos em uma experiência que tenha a educação ambiental como um dos elementos centrais.

 

O cuidado com o meio ambiente também aparece em ações adotadas no local. Cilbene afirma que o estabelecimento deixou de vender latinhas para reduzir o descarte de resíduos no rio e desenvolve ações de plantio de árvores na região da cabeceira.

A decoração do espaço segue outra proposta de conexão com a memória. Objetos como máquina de costura, pilão, fogão e panelas de ferro foram incorporados ao ambiente para remeter a lembranças familiares e à cultura regional.

“Vocês vão ver que a nossa decoração é uma decoração também trabalhada pra se criar memórias”, declarou.

Assim, o Água Doce busca ampliar a experiência tradicional de um balneário em Nobres, mantendo o ecoturismo no centro, mas olhando para outros segmentos além dos já estabelecidos na região, como o caso da flutuação em rios. A natureza continua como elemento central, mas agora é apresentada também como espaço de observação, pesquisa, interação e aprendizado.

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Um pouco do que vimos:

Fonte: leiagora

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