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Cientistas desenvolvem solução nanotecnolĂłgica para otimizar o uso de água e fertilizantes no solo agrĂcola. Foto: Unsplash
Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de CiĂŞncia e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) pode transformar o modo como o solo Ă© preparado e tratado nas lavouras. A inovação consiste na incorporação de nanoargila (NC) e nanolignina (NL) ao amido termoplástico (TPS), com o objetivo de melhorar as propriedades fĂsicas, quĂmicas e tĂ©rmicas do solo, promovendo mais eficiĂŞncia no uso de recursos e contribuindo para a sustentabilidade no campo.
A tĂ©cnica de mulching — ou cobertura do solo —, que ganhou popularidade entre agricultores a partir da dĂ©cada de 1950, tradicionalmente utiliza filmes plásticos para proteger a lavoura, conservar a umidade do solo e controlar ervas daninhas. No entanto, o uso de polietileno, material derivado do petrĂłleo e de difĂcil degradação, resultou em impactos ambientais negativos, levando muitos produtores a adotarem soluções inadequadas para o descarte desses resĂduos, como o enterramento ou a queima.
Diante dessas limitações, cientistas norte-americanos desenvolveram nos anos 1990 os chamados “termoplásticos biodegradáveis”, especialmente Ă base de amido — um biopolĂmero obtido de fontes vegetais como milho, mandioca ou batata. Quando plastificado, esse material torna-se flexĂvel e moldável, oferecendo vantagens semelhantes Ă s do plástico convencional, porĂ©m com a vantagem de ser biodegradável.
A nova pesquisa do INCT NanoAgro dá um passo alĂ©m ao incorporar soluções nanotecnolĂłgicas ao amido termoplástico. Segundo Leonardo Fraceto, coordenador do instituto, o objetivo Ă© ampliar as funções do TPS, adicionando propriedades de condicionamento do solo. “Os condicionadores sĂŁo essenciais para o crescimento das plantas, saĂşde do solo e diminuição do uso de fertilizantes quĂmicos. Nesse contexto, a nanotecnologia tem se mostrado uma aliada promissora”, explica o pesquisador.
O estudo, publicado pela editora cientĂfica Elsevier, contou com a colaboração de JĂ©ssica Rodrigues, Amanda de Freitas, Henrique Vieira, LĂvia Emidio, Stefanny Amaro, Mariana Azevedo, Iolanda C. S. Duarte, Vagner Botaro, Marystela Ferreira e o prĂłprio Fraceto. O grupo investigou os efeitos da adição de nanoargila e nanolignina ao TPS, observando melhora na resistĂŞncia Ă fotodegradação e estabilidade tĂ©rmica do material.
Os resultados mostraram tambĂ©m maior capacidade de retenção de água no solo, absorção eficiente e liberação controlada de nutrientes como nitrogĂŞnio, fĂłsforo e potássio, alĂ©m de significativa redução da lixiviação de Ăons. A pesquisa identificou ainda atividade antimicrobiana do novo material, evidenciando seu potencial como condicionador de solo biodegradável.
AlĂ©m dos testes laboratoriais, os pesquisadores aplicaram a tecnologia em cultivos reais de tomate cereja. Os resultados em campo confirmaram a eficácia do biopolĂmero modificado, promovendo melhor desenvolvimento das mudas em comparação a cultivos sem o uso do novo condicionador.
A inovação também representa ganhos econômicos para os produtores, ao permitir o uso de menores quantidades de insumos como fertilizantes e reduzir os custos operacionais. Ao aliar alta eficiência agronômica à sustentabilidade ambiental, a nanotecnologia desenvolvida pelo INCT NanoAgro apresenta-se como uma alternativa promissora para o futuro da agricultura.
Fonte: portaldoagronegocio




