A consultoria AgRural revisou para 165,9 milhões de toneladas a estimativa de produção de soja do Brasil para a safra 2024/25, o que representa uma redução de 2,3 milhões de toneladas em relação à previsão anterior, de fevereiro. Esse ajuste negativo foi atenuado principalmente pelo desempenho positivo na colheita de Mato Grosso, que superou as expectativas, conforme divulgado nesta segunda-feira.
As principais revisões para baixo ocorreram no Rio Grande do Sul, onde a estimativa de safra caiu de 18 milhões para 15 milhões de toneladas, uma redução de 3 milhões de toneladas. O clima quente e seco, persistente na região, continua a afetar negativamente a produtividade da soja, e novas revisões podem ser feitas caso o cenário se mantenha. Segundo a analista Alaíde Ziemmer, da AgRural, “não houve melhora nas condições climáticas, e a falta de umidade suficiente prejudicou o desenvolvimento dos grãos, resultando em soja de baixa qualidade, com grãos pequenos, leves e deformados”.
Embora o Rio Grande do Sul enfrente perdas significativas, a produção nacional não deve perder o recorde histórico de 2022/23, quando o Brasil colheu 155,7 milhões de toneladas. Para 2024/25, o aumento da produtividade nas principais regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste, deverá garantir um crescimento expressivo, com destaque para Mato Grosso, que passou de 48,5 milhões para 49,5 milhões de toneladas. A estimativa consolidada de Mato Grosso é considerada uma “super safra”, o que o coloca em uma posição vantajosa, superando a produção da Argentina, tradicionalmente o terceiro maior produtor mundial de soja.
A região central do Brasil, especialmente Goiás e Mato Grosso, teve um desempenho recorde devido ao clima favorável e à ampliação da área plantada. Goiás, que ultrapassou o Rio Grande do Sul, alcançou uma produção de 20,1 milhões de toneladas, enquanto o Paraná, com clima menos favorável, deve colher 21 milhões de toneladas.
Além disso, a AgRural revisou as estimativas para outros estados. O Paraná e o Piauí sofreram ajustes menores para baixo, enquanto os cortes foram mais expressivos no Mato Grosso do Sul e na Bahia, com uma redução de 300 mil toneladas em cada um desses estados. A colheita de soja já havia alcançado 77% da área plantada até quinta-feira (21), superando o ritmo do ano passado, quando esse índice era de 69%, e o da média histórica de 67%, devido ao clima seco que facilitou o avanço da colheita.
Previsão de Milho
Em relação à segunda safra de milho, a AgRural manteve sua previsão de produção de 87,9 milhões de toneladas para 2024/25, destacando a preocupação com as chuvas irregulares em alguns estados do Centro-Sul, com exceção de Mato Grosso, que tem recebido precipitações mais favoráveis. O mercado de grãos agora volta suas atenções para o desenvolvimento das lavouras de milho, com a soja se aproximando do fim da colheita.
A estimativa de aumento na produção de milho em 2024/25, em comparação aos 83,1 milhões de toneladas colhidos no ano anterior, reflete uma expectativa de melhores condições climáticas e uma área plantada maior. A área dedicada ao milho segunda safra no Centro-Sul aumentou 375 mil hectares, somando 14,6 milhões de hectares. A previsão poderá ser ajustada dependendo das condições climáticas nas próximas semanas.
Fonte: portaldoagronegocio