A Comissão Intergestores Bipartite de Mato Grosso (CIB-MT) homologou formalmente, em 6 de agosto de 2026, o Plano de Contingência para Emergência em Saúde Pública por Seca e Estiagem 2026. O documento estratégico estabelece um modelo de resposta escalonada do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado ao enfrentamento dos impactos gerados pela estiagem severa, queimadas e incêndios florestais no território mato-grossense.
A formalização ocorreu por meio da Resolução CIB/MT nº 516, que ratifica a aprovação em caráter de urgência concedida anteriormente pela Resolução Ad Referendum nº 69, de 24 de julho. Elaborado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), o plano conta com 57 páginas de diretrizes para orientar a rede pública durante o período crítico da estação seca, com foco na preservação da qualidade da água, prevenção de surtos e proteção de populações vulneráveis, como comunidades indígenas e rurais.
Níveis de resposta e gatilhos de alerta
A estratégia estruturada pela SES-MT divide a gestão de crises em cinco níveis progressivos de atendimento: normalidade (verde), mobilização (amarelo), alerta (laranja), situação de emergência (vermelho) e crise (roxo). Cada estágio é acionado por indicadores específicos que mensuram desde focos de calor até a capacidade de atendimento da rede hospitalar e o acesso a recursos hídricos.
Entre os principais gatilhos estão os registros de focos de calor monitorados com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE): menos de 100 focos semanais indicam normalidade, enquanto patamares superiores a 500 configuram estado de crise. No âmbito assistencial, um acréscimo de 10% a 19% nas internações por doenças respiratórias aciona a mobilização, escalando para emergência caso o aumento ultrapasse 30% ou ocorra colapso generalizado nos serviços essenciais.
Ações de vigilância e mitigação de danos
O documento alerta que a combinação de baixa umidade do ar, poeira e fumaça intensifica quadros respiratórios, enquanto a escassez hídrica eleva os riscos de infecções gastrointestinais, doenças de pele, arboviroses e impactos na saúde mental. Para o gerenciamento das ocorrências, as referências técnicas municipais devem preencher o formulário nacional do programa VIGIDESASTRES em até 48 horas após eventos com danos humanos ou comprometimento de serviços.
Entre as medidas operacionais previstas estão a distribuição em larga escala de hipoclorito de sódio a 2,5% para purificação de água, o reforço na fiscalização de fontes alternativas de abastecimento — como caminhões-pipa e cisternas — pelo programa VIGIAGUA, além da autorização para que hospitais cofinanciados executem procedimentos de urgência com base nos valores do programa Fila Zero.
Fonte: cenariomt





