Saúde

Células-tronco: avanços no tratamento de complicações pós-transplante

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2026

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão desenvolvendo uma terapia avançada com células-tronco para combater complicações graves causadas após o transplante de medula óssea. O tratamento experimental apresentou resultados considerados promissores no controle da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), condição que pode levar pacientes à morte.

A DECH ocorre quando células imunológicas presentes na medula doada passam a atacar o organismo do receptor, reconhecendo-o como estranho. Os sintomas podem surgir nos primeiros 100 dias após o transplante, na forma aguda, ou aparecer anos depois, em casos crônicos.

Nos quadros agudos, as áreas mais afetadas costumam ser a pele e o sistema gastrointestinal, causando vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e alterações no funcionamento do fígado. Já nos casos crônicos, a doença pode atingir diferentes partes do corpo, provocando rigidez nos movimentos, dificuldades respiratórias e úlceras.

Atualmente, o tratamento convencional é feito com corticosteroides para reduzir a inflamação provocada pelo ataque imunológico. Entretanto, parte dos pacientes não responde adequadamente à terapia tradicional e precisa recorrer a medicamentos mais agressivos ou imunossupressores.

A alternativa desenvolvida pela PUCPR, chamada MesenCell, utiliza células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. O material é processado em laboratório e armazenado até a aplicação nos pacientes.

Segundo a coordenadora do projeto e responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, a proposta é agir diretamente na origem da doença, reduzindo a proliferação das células responsáveis pelo ataque ao organismo.

De acordo com a pesquisadora, a terapia libera fatores capazes de modular o sistema imunológico, diminuindo a inflamação e melhorando o quadro clínico dos pacientes.

Inicialmente, o tratamento deve ser direcionado a pessoas que não respondem aos medicamentos tradicionais ou que não podem utilizá-los devido aos efeitos tóxicos. Outro desafio apontado pelos pesquisadores é a indisponibilidade de alguns tratamentos recomendados no Sistema Único de Saúde (SUS).

O grupo já concluiu um estudo-piloto com 11 pacientes diagnosticados com DECH crônica. Agora, os pesquisadores vão iniciar uma nova etapa clínica com 20 participantes, utilizando uma formulação considerada mais viável.

Nos resultados preliminares, metade dos pacientes apresentou remissão completa da doença. O tratamento também demonstrou melhora em 75% dos comprometimentos gastrointestinais e em 100% dos sintomas de pele, inclusive em quadros graves.

Segundo Carmen Rebelatto, a terapia conseguiu reverter casos de endurecimento severo da pele, condição que reduz a mobilidade dos pacientes.

A nova fase de testes clínicos está prevista para começar em setembro e será realizada em três centros de referência do Paraná: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças.

A pesquisa recebe financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A expectativa do grupo é estabelecer parceria com a indústria farmacêutica para viabilizar a produção em larga escala do medicamento.

Fonte: cenariomt

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