Economia

Brasil atinge recorde de inadimplência com 74,8 milhões de devedores, mostram dados recentes

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2026

O Brasil voltou a registrar recorde no número de inadimplentes em abril de 2026. Dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil apontam que 74,82 milhões de brasileiros estavam com contas em atraso no período, o equivalente a 44,69% da população adulta do país.

O levantamento faz parte do Indicador de Inadimplência da CNDL e SPC Brasil e mostra que, na comparação anual, o crescimento do número de negativados continuou avançando, embora em ritmo menor do que o observado no mês anterior. Já na passagem de março para abril, houve aumento de 0,81% no total de devedores.

O maior crescimento ocorreu entre consumidores com dívidas atrasadas entre quatro e cinco anos, faixa que registrou alta de 37,32%.

Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário revela um desequilíbrio financeiro estrutural enfrentado pelas famílias brasileiras.

“O recorde de inadimplência no Brasil não é apenas um reflexo de má gestão individual, mas o sintoma de um equilíbrio financeiro extremamente frágil. Com o orçamento doméstico estrangulado pela inflação de itens básicos, as famílias operam no limite técnico de sua sobrevivência”, afirmou.

Ele destacou ainda que, mesmo com programas de renegociação, muitas famílias acabam retornando rapidamente ao endividamento devido à ausência de renda suficiente para criar uma margem de segurança financeira.

Faixa etária entre 30 e 39 anos lidera inadimplência

Os dados mostram que a maior concentração de inadimplentes está na faixa entre 30 e 39 anos, que soma 18,23 milhões de pessoas negativadas. Isso representa 53,77% da população dessa faixa etária.

A distribuição por gênero é equilibrada, com leve predominância feminina: 51,39% dos inadimplentes são mulheres, enquanto 48,61% são homens.

Regionalmente, o maior avanço anual no número de negativados foi registrado na região Norte, com crescimento de 10,48%, seguida pelas regiões Sul (9,97%), Sudeste (8%), Centro-Oeste (6,66%) e Nordeste (6,52%).

Além disso, a região Norte também apresenta o maior percentual proporcional de inadimplentes do país, com 48,58% da população adulta incluída em cadastros de devedores. Já a região Sul possui o menor índice, com 40,69%.

Dívida média ultrapassa R$ 5 mil

Em abril de 2026, cada consumidor inadimplente devia, em média, R$ 5.111,64. O levantamento aponta ainda que cada devedor possui compromissos em atraso com cerca de 2,34 empresas credoras.

Os números mostram também que 29,4% dos consumidores tinham dívidas de até R$ 500. Quando consideradas dívidas de até R$ 1 mil, o percentual sobe para 41,75%.

O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, ressaltou que sair da inadimplência exige planejamento financeiro rigoroso e reorganização do orçamento familiar.

“Sair da inadimplência exige mais do que apenas querer pagar; requer um diagnóstico frio do fluxo de caixa. O primeiro passo é listar todas as dívidas e priorizar aquelas com juros mais altos”, explicou.

Segundo ele, aceitar acordos sem avaliar a real capacidade de pagamento pode levar o consumidor a novos atrasos e perpetuar o ciclo de endividamento.

Bancos concentram maior parte das dívidas

O estudo também revelou crescimento de 16,99% no número de dívidas em atraso em relação a abril de 2025. Na comparação mensal, o aumento foi de 1,94%.

Entre os setores credores, o maior crescimento foi registrado nas dívidas relacionadas a água e luz, que avançaram 22,38%, seguidas por comunicação (17,73%), bancos (16,47%) e comércio (2,35%).

Apesar disso, o setor bancário continua concentrando a maior parte das dívidas do país, representando 66,65% do total. Na sequência aparecem água e luz (10,23%), outros setores (9,16%) e comércio (8,43%).

Na divisão regional das dívidas, o Norte novamente liderou o crescimento, com alta de 19,67%, seguido pelo Sul (18,09%), Sudeste (16,24%), Centro-Oeste (14,39%) e Nordeste (13,65%).

Fonte: cenariomt

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