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Projeto científico mapeia biodiversidade marinha na Bahia através de DNA ambiental

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2026

Uma nova fase do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), conduzido pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), está avançando no mapeamento da fauna marinha do litoral sul da Bahia por meio da análise de amostras de água coletadas em reservas extrativistas.

A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Centro Tamar e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atua nas Reservas Extrativistas de Corumbau e Cassurubá, onde pesquisadores aplicam uma técnica conhecida como DNA ambiental (eDNA) metabarcoding para identificar diferentes espécies presentes no ambiente.

Segundo os pesquisadores envolvidos, a metodologia permite detectar organismos a partir de fragmentos microscópicos de DNA deixados na água, no solo ou no ar, sem necessidade de captura dos animais.

A coordenadora do GBB pelo ICMBio, Amely Branquinho Martins, explica que qualquer organismo que circula por um ambiente deixa vestígios genéticos, como escamas, pelos, fezes ou urina. Esses materiais são coletados e comparados com bancos de dados genéticos para identificar as espécies presentes na região.

“Todo animal que passa por um ambiente deixa vestígios de DNA. Ao sequenciar esse material e compará-lo com bancos de referência, conseguimos identificar as espécies que estiveram ali”, explicou a pesquisadora.

No projeto-piloto, foram coletadas amostras em 20 pontos da Resex de Corumbau e em 10 áreas da Resex de Cassurubá, abrangendo zonas estuarinas e marinhas. Os locais foram escolhidos com base em critérios como atividades de pesca, presença de espécies ameaçadas e possíveis espécies invasoras.

As amostras passaram por filtragem e conservação antes de serem enviadas ao laboratório do ITV, em Belém (PA), onde será realizado o processo de extração e sequenciamento genético.

Além de mapear a biodiversidade marinha, o estudo também busca identificar espécies ameaçadas, exóticas e invasoras, incluindo peixes recifais, moluscos, camarões e o caranguejo-uçá, além de organismos como peixe-leão e coral-sol.

DNA ambiental e inovação científica

A técnica de DNA ambiental é considerada não invasiva e permite o levantamento de múltiplas espécies simultaneamente, o que reduz tempo e esforço em comparação com métodos tradicionais de monitoramento.

De acordo com o analista ambiental do ICMBio, Roberto Sforza, essa abordagem pode complementar métodos convencionais e até ampliar a detecção de espécies raras ou de difícil observação.

O pesquisador Alexandre Aleixo, do ITV, destaca que o DNA está presente em praticamente todos os ambientes naturais e pode ser coletado de forma simples, desde que seguidos protocolos adequados de amostragem.

“Tudo ao nosso redor carrega vestígios de DNA. Ao coletar essas amostras, conseguimos identificar espécies mesmo sem vê-las diretamente”, afirmou o pesquisador.

Ele ressalta que a técnica também pode revelar a presença de animais com hábitos noturnos ou comportamento discreto, ampliando o alcance das análises ecológicas.

Avanços do GBB e aplicações futuras

Em operação desde 2023, o GBB é considerado um dos maiores esforços de sequenciamento genômico da biodiversidade no Brasil. O projeto reúne dados genéticos de espécies ameaçadas, endêmicas e de interesse econômico, com foco em conservação e uso sustentável.

Segundo os pesquisadores, já foram gerados mais de 40 genomas de referência, além do sequenciamento de centenas de espécies e amostras ambientais analisadas por DNA ambiental.

O objetivo é fortalecer políticas de conservação e apoiar iniciativas institucionais, incluindo o Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora).

Além disso, os dados genéticos podem contribuir para estudos sobre adaptação das espécies às mudanças climáticas ao longo do tempo, oferecendo subsídios para estratégias futuras de preservação.

No futuro, o projeto deve ser expandido para outros biomas brasileiros, como Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal, ampliando o alcance do monitoramento genômico no país.

Fonte: cenariomt

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