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Trabalho Escravo e Conflitos: Mato Grosso Lidera Violência no Campo

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2026

Mato Grosso assumiu uma posição central e preocupante no cenário das disputas agrárias e das violações de direitos trabalhistas no Brasil. O relatório anual “Conflitos no Campo Brasil 2025”, produzido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT), aponta que o estado fechou o último ano no topo do ranking nacional de pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão, além de liderar os confrontos por território no Centro-Oeste.

A divulgação oficial dos dados ocorre nesta terça-feira (19), em Cuiabá, trazendo um panorama detalhado sobre as pressões sofridas por comunidades tradicionais, posseiros e pequenos produtores. Os números mostram que, por trás do avanço econômico, persistem gargalos sociais profundos que exigem a atenção imediata das autoridades e da sociedade civil.

De acordo com os indicadores sociais acompanhados pelo CenárioMT, as estatísticas refletem a intensidade da expansão da fronteira agrícola e urbana sobre áreas de preservação e assentamentos tradicionais.

Disputas territoriais e avanço da pistolagem preocupam autoridades

O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino da CPT contabilizou 63 conflitos rurais em Mato Grosso ao longo de 2025, envolvendo diretamente cerca de 54 mil pessoas. Desse total, as disputas específicas por terra responderam por 53 ocorrências, impactando a rotina e a segurança de 11.841 famílias. As principais vítimas dessas tensões são trabalhadores assentados, posseiros históricos e comunidades quilombolas.

Outro indicador que acendeu o sinal de alerta foi o registro de 200 ações ligadas à pistolagem, que englobam ameaças diretas, intimidações físicas e a atuação ostensiva de grupos armados privados. Somado a isso, o estado registrou 4.701 notificações de ameaças de despejos judiciais — um salto impressionante de mais de 300% em comparação com o ano anterior, evidenciando a judicialização extrema da posse da terra.

Geograficamente, a porção Norte de Mato Grosso desponta como a área mais crítica do estado, englobando 26 municípios em situação de litígio, o que representa um aumento de 36,8% nos índices regionais em relação a 2024. No total, o estado já contabiliza 48 municípios enfrentando algum tipo de confronto em suas áreas rurais.

Recorde nacional: O perfil do trabalho escravo em 2025

No setor de exploração laboral, Mato Grosso registrou a libertação de 606 trabalhadores submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas e restrição severa de direitos básicos. O volume de resgates foi impulsionado por uma única grande operação realizada no município de Porto Alegre do Norte, onde 586 operários foram encontrados em situação irregular durante a construção de uma usina de etanol.

A segunda ocorrência de destaque envolveu o resgate de 20 trabalhadores que atuavam no corte e empilhamento de madeira em uma propriedade rural no município de Nova Maringá. As ações de fiscalização expõem a necessidade de intensificar as vistorias em grandes canteiros de obras e setores extrativistas do interior.

Disputas por recursos hídricos entram no radar de monitoramento

Além da terra, a água consolidou-se como um ativo em disputa. O relatório apontou oito grandes conflitos pelo uso de recursos hídricos em Mato Grosso, afetando 1.491 famílias. Os impasses ocorrem principalmente em regiões onde o avanço das lavouras comerciais, a construção de barramentos e a contaminação de rios limitam o acesso à água por parte de pequenos produtores rurais.

O cenário nacional: Redução de registros, mas aumento na letalidade

Em âmbito nacional, o Brasil registrou uma queda de 28% no número total de conflitos agrários, caindo de 2.207 ocorrências para 1.593. No entanto, os técnicos da Pastoral da Terra alertam que a redução nos índices gerais não significou um ambiente mais pacífico. O número de assassinatos no campo dobrou no período, passando de 13 para 26 vítimas fatais.

O balanço final reforça que o enfrentamento à violência rural e a erradicação do trabalho análogo à escravidão continuam sendo os maiores desafios para a garantia da segurança jurídica e dos direitos humanos no campo brasileiro.

Fonte: cenariomt

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