A recomendação da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager-MT) para elevar em 24,33% a tarifa de água e esgoto em Várzea Grande chega em um momento delicado para a população, que convive há anos com falhas no abastecimento e baixa cobertura de saneamento. O reajuste foi calculado com base no IPCA, para recompor perdas inflacionárias acumuladas desde a base tarifária de 2019, após pedido da Prefeitura para atualizar os cálculos porque a revisão anterior, de 21,74%, não foi aplicada em 2025. A decisão final, no entanto, ainda caberá ao Executivo municipal.
O contraste entre a possibilidade de aumento na conta e a realidade do serviço aparece nos indicadores mais recentes do setor. Com base em dados do SINISA 2024, usados no Ranking do Saneamento 2026, Várzea Grande aparece na 97ª posição entre os 100 maiores municípios do país, cinco colocações abaixo do ranking anterior. No recorte local, a cidade registra 96,62% de atendimento total de água, mas apenas 28,54% de atendimento total de esgoto e somente 2,64% de tratamento total de esgoto. O levantamento também mostra investimento médio de R$ 47,25 por habitante e perdas na distribuição de 59,03%, índice que ajuda a explicar as recorrentes queixas de desabastecimento.
O próprio município reconhece a gravidade e a antiguidade do problema. Em novembro de 2025, ao anunciar a mobilização social para discutir a concessão dos serviços, a Prefeitura afirmou que o sistema de água e esgoto de Várzea Grande enfrenta um problema de mais de 40 anos. Já em março deste ano, o novo presidente do DAE, Rogérinho Dakar, declarou que o principal entrave não é a produção de água, mas as perdas no percurso até as residências, defendendo a modernização da rede como saída definitiva.
A deterioração do serviço também foi formalizada pelo próprio poder público ao longo do último ano. Em fevereiro de 2025, a prefeita Flávia Moretti decretou calamidade pública por causa do colapso no abastecimento de água potável. Meses depois, em outubro, um novo decreto municipal voltou a reconhecer a crise e a escassez no abastecimento, agravadas pela estiagem e pela necessidade urgente de manutenção e modernização de redes antigas e sobrecarregadas.
Apesar desse cenário, a Ager sustenta que a atualização tarifária é necessária para garantir o equilíbrio econômico-financeiro da prestação dos serviços e assegurar continuidade, regularidade e eficiência. A agência também reforçou a recomendação para implantação da tarifa social, prevista na Lei Federal nº 14.898/2024, com desconto de até 50% para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.
Fonte: leiagora





