As maiores redes varejistas da Europa elevaram o tom contra o setor produtivo brasileiro. Em uma carta aberta divulgada nesta semana, 14 gigantes do setor — incluindo marcas como Tesco, Lidl, Aldi e Sainsbury’s — alertaram que podem cortar o fornecimento de soja brasileira caso não haja garantias de que o produto é livre de desmatamento na Amazônia.
A reação institucional é uma resposta direta ao fim da Moratória da Soja. O acordo, vigente desde 2006, impedia que grandes tradings (como Cargill, Bunge e ADM) comercializassem grãos vindos de áreas desmatadas após 2008. Recentemente, a Abiove (associação que representa as indústrias) e suas afiliadas decidiram abandonar o pacto voluntário.
Pressão por rastreabilidade e prazos
O grupo europeu, denominado Retail Soy Group, estabeleceu o dia 16 de fevereiro como prazo para que as tradings esclareçam como manterão o monitoramento da procedência do grão sem as diretrizes da Moratória. Para os europeus, o recuo do Brasil enfraquece o combate ao desmatamento e ameaça a segurança dos investimentos em um cenário de crise climática.
“Nossos compromissos permanecem claros e continuarão a excluir qualquer soja do bioma amazônico produzida em terras desmatadas após 2008”, afirma o documento.
O impasse entre legislação e mercado
A Abiove sustenta que o Código Florestal brasileiro e as políticas públicas atuais são robustos o suficiente para garantir a sustentabilidade da produção. No entanto, especialistas contestam essa visão. Pesquisas da Universidade de Oxford indicam que o Código Florestal, sozinho, cobriria apenas metade da preservação necessária para conter o desmatamento projetado até 2050.
O imbróglio também possui componentes jurídicos e políticos internos:
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Mato Grosso: Uma lei estadual retira incentivos fiscais de empresas que participam de moratórias ambientais.
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Governo Federal: O movimento ocorre em meio à meta do governo de zerar o desmatamento até 2030, compromisso reafirmado na última COP30.
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Acordo UE-Mercosul: A instabilidade ambiental contribuiu para que o Parlamento Europeu enviasse o tratado de livre comércio para análise judicial, o que deve paralisar o acordo por pelo menos dois anos.
Impacto econômico
A soja é o principal motor da balança comercial do Brasil. Apenas no último ano, o complexo da soja gerou cerca de US$ 53 bilhões em receitas. Com uma estimativa de exportação superior a 110 milhões de toneladas para 2026, qualquer barreira comercial imposta pela União Europeia — mercado altamente sensível a questões socioambientais — pode gerar prejuízos severos ao agronegócio nacional.
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Fonte: cenariomt






