O colágeno é uma das proteínas mais abundantes do corpo humano. Ele dá estrutura e resistência a tecidos como pele, ossos, tendões, cartilagens e vasos sanguíneos. Com o passar dos anos, porém, sua produção diminui, enquanto fatores como exposição solar, tabagismo e envelhecimento aceleram a degradação da proteína.
É nesse cenário que os suplementos de colágeno ganharam espaço. Há produtos voltados para a pele, outros para articulações e diferentes versões da proteína, como o colágeno hidrolisado e o não hidrolisado. Mas os efeitos não são iguais e, em alguns casos, as evidências ainda estão longe de ser definitivas.
Quais são os principais tipos de colágeno?
Existem dezenas de tipos de colágeno no organismo, mas alguns aparecem com mais frequência.
- O tipo 1 é o mais abundante e está presente principalmente na pele, nos ossos, nos tendões e na córnea. É indicado para redução de linhas de expressão e rugas, além de cuidados com cabelos e unhas.
- O tipo 2 predomina nas cartilagens e tem relação direta com a estrutura das articulações. Portanto, serviria para proteger tais estruturas.
- O tipo 3 aparece em tecidos como vasos sanguíneos, intestino e pulmões;
- O tipo 4 é encontrado principalmente nos rins, na cápsula do cristalino ocular e na lâmina basal, estrutura responsável por envolver tecidos diferentes e na seleção do trânsito de moléculas e células no meio extracelular. Tem como principal função a sustentação e a filtração.
A diferença entre eles importa porque os suplementos não têm necessariamente a mesma composição nem são estudados para os mesmos objetivos.
O colágeno hidrolisado, também chamado de peptídeos de colágeno, passa por um processo que quebra a proteína em fragmentos menores. Isso facilita sua digestão e absorção. Já a gelatina é uma forma parcialmente hidrolisada, enquanto o colágeno não hidrolisado mantém sua estrutura original e tem outra proposta de atuação.
O que a suplementação pode fazer?
Estudos nacionais e internacionais sugerem que o consumo de colágeno hidrolisado pode melhorar a firmeza, elasticidade, hidratação, cicatrização da pele e, em alguns casos, contribuir para a redução da aparência de rugas. Os resultados, porém, variam entre os estudos, e ainda há dúvidas sobre a magnitude real desses efeitos.
Nas articulações, algumas pesquisas apontam redução de dor e melhora da função em pessoas com osteoartrite, especialmente com o uso contínuo. Isso não significa, porém, que o suplemento reconstrua uma cartilagem perdida. O benefício, quando ocorre, parece estar mais relacionado à modulação de processos envolvidos na dor e na resposta do tecido do que à simples reposição da proteína.
O colágeno não hidrolisado tipo 2 segue outra lógica. Em doses pequenas, ele é estudado por sua possível ação sobre a resposta imunológica relacionada à cartilagem. Há pesquisas que apontam benefícios em sintomas de artrose, artrite reumatoide e outras doenças articulares, mas os resultados ainda não permitem afirmar que seu uso preventivo seja necessário para pessoas saudáveis.
Por isso, não existe uma recomendação universal de suplementação. A indicação depende do objetivo, da alimentação, da condição de saúde e do produto utilizado. Além disso, a qualidade dos suplementos varia e nem todos os benefícios divulgados comercialmente são sustentados por evidências robustas.
O colágeno diminui com a idade?
Sim. A produção natural da proteína tende a cair gradativamente a partir dos 30 anos, processo que se torna mais evidente a partir dos 50 anos. Cerca de 1% a cada ano. Na pele, isso contribui para a perda progressiva de elasticidade e firmeza. Nas articulações, o envelhecimento se soma a outros fatores que podem favorecer o desgaste das cartilagens.
A exposição excessiva à radiação ultravioleta, o tabagismo, uma alimentação inadequada, sedentarismo, estresse, excesso de álcool e outros hábitos de vida também influenciam a saúde da pele e dos tecidos conjuntivos. O envelhecimento, portanto, não pode ser explicado apenas pela quantidade de colágeno disponível.
Dá para estimular a produção naturalmente?
O organismo fabrica colágeno a partir de aminoácidos obtidos na alimentação. Para esse processo, também são importantes nutrientes como vitamina C, zinco e ferro. Uma dieta variada, com frutas, verduras, legumes, grãos, sementes, carnes, peixes, ovos e laticínios, ajuda a fornecer esses componentes.
Alimentos como mocotó, pé de galinha e caldo de ossos contêm colágeno, mas isso não significa que a proteína seja simplesmente absorvida intacta e depositada na pele ou nas articulações. Durante a digestão, ela é quebrada em aminoácidos e peptídeos, que o organismo utiliza conforme suas necessidades.
O mais importante é garantir uma alimentação adequada em proteínas e micronutrientes e evitar fatores que aceleram a degradação do colágeno, principalmente a exposição solar sem proteção e o cigarro.
Para quem pensa em suplementar, a melhor estratégia é discutir o objetivo com um profissional de saúde. O colágeno pode ter espaço em situações específicas, mas está longe de ser uma solução universal para rugas, flacidez ou dores articulares. E, como acontece com qualquer suplemento, não substitui alimentação equilibrada, exercício físico, proteção solar ou o tratamento de doenças quando necessário.
*Com informações de reportagem publicada em 30/10/2023.
Fonte: uol





