O indígena Manax Enawene, de Juína (MT), aparece em um vídeo preparando peixe moqueado, técnica ancestral usada por povos indígenas para conservar alimentos por longos períodos. O registro mostra diversos peixes colocados dentro do moquém, uma estrutura de madeira usada para defumar lentamente carnes e peixes sem contato direto com o fogo.
A prática, conhecida como moquear, é tradicional entre povos originários da Amazônia e de outras regiões do Brasil. O método consiste em expor o alimento ao calor baixo e à fumaça por várias horas ou até dias, dependendo do tamanho e da espessura da carne.
No processo, o peixe é limpo, cortado e colocado sobre uma grelha feita de varas de madeira ou bambu. Abaixo da estrutura, o fogo é mantido em baixa intensidade, produzindo mais fumaça do que calor direto. Aos poucos, o alimento passa por um processo de defumação e secagem.
Além de dar sabor característico ao peixe, a técnica ajuda a desidratar o alimento e inibir a proliferação de microrganismos, permitindo que ele seja conservado por mais tempo, mesmo sem refrigeração.
Entre comunidades indígenas e ribeirinhas, o preparo segue sendo usado tanto pela função de conservação quanto pelo valor cultural. O peixe moqueado pode levar de três a quatro horas para ficar pronto, mas, em alguns casos, o processo pode durar dias.
A prática também ganhou espaço na gastronomia regional, valorizando sabores tradicionais e modos de preparo herdados dos povos originários. Mesmo fora das aldeias, o moquém mantém viva uma técnica que une alimentação, memória e ancestralidade.
Fonte: primeirapagina




