As contas do setor público consolidado encerraram abril com resultado positivo, impulsionadas pelo aumento da arrecadação. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (29), o superávit primário foi de R$ 24,6 bilhões, considerando União, estados, municípios e empresas estatais.
Em comparação com abril de 2025, quando o saldo positivo foi de R$ 14,2 bilhões, houve crescimento no resultado mensal.
O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.
Apesar do desempenho positivo no mês, o cenário acumulado ainda é de déficit. Nos 12 meses encerrados em abril, o setor público consolidado registrou resultado negativo de R$ 126,6 bilhões, equivalente a 0,97% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, o déficit primário ficou em R$ 55 bilhões, ou 0,43% do PIB.
Níveis de governo
O Governo Central apresentou superávit de R$ 26,1 bilhões em abril, revertendo o déficit de R$ 16,2 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. O resultado reflete o avanço da arrecadação no período.
Os governos regionais, que incluem estados e municípios, também contribuíram positivamente, com superávit de R$ 329 milhões, frente ao déficit de R$ 659 milhões em abril do ano anterior.
Por outro lado, as empresas estatais federais, estaduais e municipais — com exceção de Petrobras e Eletrobras — registraram déficit de R$ 1,8 bilhão, ampliando o impacto negativo no resultado consolidado.
Os gastos com juros somaram R$ 84,8 bilhões no mês. Com isso, o resultado nominal das contas públicas ficou deficitário em R$ 60,1 bilhões, acima do déficit de R$ 55,5 bilhões observado no mesmo período de 2025.
No acumulado de 12 meses, o déficit nominal chegou a R$ 1,2 trilhão, o equivalente a 9,41% do PIB, indicador acompanhado por agências de classificação de risco e investidores.
Dívida pública
A dívida líquida do setor público atingiu R$ 8,8 trilhões em abril, correspondendo a 67,4% do PIB, alta de 0,6 ponto percentual no mês.
O avanço foi influenciado principalmente pela apropriação de juros nominais e pela variação cambial, parcialmente compensados pelo superávit primário e outros ajustes fiscais.
Já a dívida bruta do governo geral chegou a R$ 10,4 trilhões, ou 80,4% do PIB, também com aumento em relação ao mês anterior.
Esse indicador é utilizado para comparações internacionais e avaliação da sustentabilidade fiscal do país.
Fonte: cenariomt




