Ao abordar o fato de que, durante o perĂodo entre a Sexta-Feira Santa e a Páscoa, de 29 a 31 de março, o“quase ampliou sem aviso” o alcance do foro privilegiado a parlamentares, presidentes da RepĂşblica e outras autoridades, a colunista Malu Gaspar, de O Globo, avaliou que a Corte “assume riscos de entrar na arena polĂtica”.
O julgamento sobre a proteção especial no âmbito da Justiça concedida a certas autoridades foi interrompido no STF por um pedido de vista do presidente do tribunal, ministro LuĂs Roberto Barroso, e deverá ser retomado na prĂłxima semana.
A atual regra do foro privilegiado foi estabelecida em 2018, após meses de debates e exibições de sessões pela TV Justiça.
De acordo com essa regra, apenas crimes cometidos por polĂticos no exercĂcio do mandato e em razĂŁo dele devem ser julgados no STF. Caso contrário, as ações devem ser remetidas Ă s instâncias inferiores.
A colunista lembra que essa decisĂŁo foi bem recebida na Ă©poca, pois reduziu a quantidade de polĂticos com foro privilegiado e evitou o acĂşmulo de processos no STF.
Entretanto, no contexto da Operação Lava Jato, novos alvos e o Tribunal passaram a questionar decisões de instâncias inferiores.
A situação atual sobre a mesa dos 11 magistrados envolve polĂticos como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de uma sĂ©rie de acusações por parte de seus opositores polĂticos, e o deputado federal Chiquinho BrazĂŁo (ex-UniĂŁo Brasil-RJ), suspeito de ser um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco.
AlĂ©m dos dois polĂticos, tambĂ©m estĂŁo sob a jurisdição do ministro Alexandre de Morais centenas de rĂ©us sem foro privilegiado, como os manifestantes chamados fartamente por Gaspar de “golpistas”, em alusĂŁo aos atos de 8 de janeiro de 2023, em BrasĂlia, e o adolescente que invadiu o perfil da primeira-dama, Janja da Silva, no Twitter/X.
“Há, aĂ, um problema real que a maioria finge nĂŁo ver: o que fazer com quem nĂŁo tem prerrogativa de foro, mas está pendurado no Supremo”, questiona Gaspar. “E há o desespero de polĂticos que sabem nĂŁo ter chance de absolvição se forem julgados no STF, por isso tentam tirar seus casos da Corte.”

O texto também aborda a tentativa do ministro Gilmar Mendes de ampliar o alcance do foro privilegiado, ao citar o caso do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), acusado de tomar 5% dos salários dos servidores de seu gabinete quando era deputado federal, em 2013.
Após o caso sair do STF, Marinho foi eleito vice-governador do Pará. Em 2019, retornou ao Congresso como senador. Atualmente, seu processo está em primeira instância, e ele busca a transfência de volta para o Supremo.
Gilmar argumenta que as idas e vindas dos processos levam à impunidade e propõe que os crimes cometidos por autoridades com foro continuem no STF mesmo após o fim do mandato.
A falta de dados confiáveis sobre a eficácia das mudanças no foro privilegiado e a controvérsia em torno da proposta de Gilmar Mendes são outros pontos destacados pelo texto.
Gaspar destaca ainda que a reação contra essas mudanças já está em curso, com mobilização no Congresso por parte de bolsonaristas e membros do centrĂŁo para barrar a proposta, compreendida por eles como “fruto de um casuĂsmo destinado a aumentar os poderes do Supremo e sufocar o Parlamento”.

A coluna conclui as análises ao destacar a tensĂŁo crescente entre o STF e o Congresso, sugerindo um possĂvel impeachment de um ministro do Supremo, conforme assegurado pelo senador Davi Alcolumbre (UniĂŁo Brasil-AP) aos visitantes de seu gabinete, segundo a jornalista
Para Gaspar, os ministros do STF estĂŁo entrando em um campo minado ao assumir um papel mais ativo na arena polĂtica.
Fonte: revistaoeste




