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Restaurante para pessoas em situação de rua inviável, segundo Abilio: entenda os motivos

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2026

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o projeto de criação de um restaurante voltado à população em situação de rua se tornou inviável diante das regras atuais de assistência adotadas para esse público. Segundo ele, a Prefeitura não consegue implementar o modelo pretendido porque as políticas em vigor exigem que a alimentação seja levada até os locais onde os moradores de rua permanecem.

Abilio disse que a proposta da gestão era criar um espaço para concentrar atendimento, alimentação e encaminhamento social das pessoas em situação de vulnerabilidade. No entanto, segundo ele, o formato acabou sendo considerado “ineficaz”.

“Não adianta eu abrir um restaurante para alimentar a população de rua, se eu não posso levar a população de rua até o restaurante. Eu tenho que levar comida até a população de rua. Então esse formato não funciona”, afirmou.

O prefeito relembrou que, no início do mandato, chegou a discutir parcerias para implantação do restaurante e citou negociações envolvendo o Restaurante Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso. Conforme ele, a ideia era utilizar o espaço como ponto de atendimento e triagem.

Abilio defendeu que as pessoas em situação de rua fossem encaminhadas até unidades específicas, onde poderiam receber alimentação, tomar banho, cortar o cabelo e passar por avaliação social e de saúde.

O prefeito criticou o que classificou como políticas “assistencialistas” e afirmou que parte das medidas atualmente adotadas acaba incentivando a permanência da população de rua nas vias públicas. Segundo ele, a gestão municipal enfrenta resistência de setores ligados aos direitos humanos e limitações impostas por decisões judiciais.

Durante a entrevista, Abilio citou entendimento atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre a necessidade de garantir estrutura mínima para pessoas em situação de rua nas capitais, como barracas e espaços para guardar pertences.

“Imagina como ficaria o centro da nossa cidade, cheio de barraquinha no meio da rua para as pessoas dormirem”, declarou.

O prefeito também associou parte da população em situação de rua ao uso de drogas e defendeu que o problema seja tratado de forma integrada entre assistência social, saúde pública e segurança pública.

“Uma pessoa que está todos os dias na rua injetando produtos de dependência química no corpo também está se matando. Esse tratamento precisa ser levado a sério”, afirmou.

Abilio disse ainda que nenhuma política pública voltada à população de rua conseguirá avançar sem participação conjunta do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Governo do Estado e Governo Federal. “Se a solução for apenas municipal, não vai resolver”, concluiu.

Fonte: Olhar Direto

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