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Raquel Cattani: história da produtora vítima de feminicídio ganha destaque na Mundial de Queijos

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Produtora de queijo, mãe de dois filhos pequenos e apaixonada pelo campo: Raquel Cattani teve a vida interrompida ao ser vítima de feminicídio a mando do ex-marido, em julho de 2024, em Nova Mutum (MT). Mais de um ano após a morte, ela dará nome a um prêmio na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil – competição na qual recebeu medalha de ouro meses antes de ser assassinada.

O Prêmio Raquel Cattani passa a integrar o Mundial de Queijo neste ano, competição que ocorrerá entre os dias 16 a 19 de abril em São Paulo (SP).

Interessados no universo dos queijos artesanais, além de produtores e especialistas estarão reunidos no evento, que conta com concursos, feira de produtos, conferências e outras atividades abertas ao público.

O intuito da nomeação do prêmio é homenagear Raquel, filha do deputado estadual por Mato Grosso Gilberto Cattani (PL) e dona de uma empresa de laticínio no assentamento onde foi encontrada morta.

Dias antes de ser assassinada, ela compartilhou um vídeo mostrando a viagem à São Paulo, quando participou da premiação internacional e recebeu medalha de ouro pelo queijo artesanal que produzia.

Raquel foi brutalmente assassinada pelo ex-cunhado, Rodrigo Xavier Mengarde, a mando do ex-marido, Romero Xavier Mengarde. Ambos foram condenados em janeiro deste ano, a 30 anos e 33 anos de prisão, respectivamente.

Diante disso, o novo prêmio será dedicado à escolha do melhor queijo de fazenda produzido por uma mulher com leite da própria propriedade. A iniciativa reconhece o trabalho de produtoras rurais e destaca a presença feminina na produção artesanal brasileira de queijos.

Inscrições abertas

O concurso internacional de queijos e produtos lácteos é um dos destaques deste ano, além de premiações que elegem o melhor queijista e o melhor queijeiro do Brasil. Interessados ainda podem se inscrever até o dia 3 de abril, por meio do site oficial.

O caso Raquel Cattani

Raquel Miziete Cattani, de 26 anos, foi encontrada morta com mais de 30 facadas na casa onde morava, localizada em um sítio no assentamento Pontal do Marapé, zona rural de Nova Mutum.

De acordo com a acusação, o crime foi planejado por Romero, ex-marido da vítima que não aceitava o fim do relacionamento, e executado por Rodrigo, irmão dele, sob promessa de pagamento.

Os laudos periciais apontaram que Raquel sofreu diversos golpes de arma branca, em intensidade e quantidade suficientes para caracterizar meio cruel, além de evidenciar que a dinâmica do ataque impediu qualquer possibilidade real de defesa. A acusação destacou ainda o sofrimento imposto à vítima durante a agressão.

“O homicídio foi praticado de forma cruel. Não bastava matar. Era preciso fazer sofrer. Trata-se de um crime no contexto da violência doméstica”, diz a promotora Andreia Monte Alegre.

Fonte: primeirapagina

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