Poucas bebidas despertam tanta paixão quanto o café. Mas, diante das diferentes versões disponíveis, como coado, espresso ou instantâneo, surge a dúvida: existe um método mais saudável?
A resposta não é simples, afinal, todos os tipos de café carregam compostos antioxidantes, minerais e substâncias associadas à proteção cardiovascular e cerebral. No entanto, quantidade de cafeína, qualidade do grão, processamento, preservação dos nutrientes e modo de consumo podem influenciar o que cada um entrega.
O que muda entre coado, espresso e instantâneo?
O café coado costuma preservar melhor alguns compostos nutricionais, especialmente quando os grãos são moídos na hora. Como a extração é mais lenta, a bebida tende a apresentar sabor mais suave e menor acidez.
Além disso, se o coador for de papel, há maior retenção do cafestol, uma substância gordurosa que tem a tendência de elevar o colesterol LDL, o ruim. Um ponto positivo importante, principalmente para quem tem predisposição genética a ter colesterol alto.
Já o espresso é preparado sob pressão, com pouca água e sem passar por um filtro, o que resulta em uma bebida mais concentrada, tanto em sabor quanto em cafeína, e num nível maior de cafestol. Apesar do volume pequeno, uma dose pode entregar praticamente a mesma quantidade de cafeína de uma xícara grande de café coado.
O instantâneo, por outro lado, passa por processos industriais de desidratação que reduzem parte dos compostos nutricionais e aromáticos. Ainda assim, continua oferecendo antioxidantes e praticidade no dia a dia.
De forma geral, em quantidades adequadas, todos podem ser ingeridos e promover benefícios, já que os nutrientes são semelhantes.
Qual deles têm mais cafeína?
A cafeína é um dos principais fatores que diferenciam as versões:
- Café coado (150 ml): cerca de 80 a 100 mg de cafeína;
- Espresso (50 ml): até 100 mg;
- Café instantâneo: entre 40 e 80 mg por xícara.
Especialistas lembram que o grau da torra também interfere na qualidade do café. Grãos muito torrados tendem a perder parte dos nutrientes e compostos antioxidantes. Por isso, classificações como Gourmet e Especial são mais caros do que os tipos Tradicionais e Extrafortes, porque possuem grãos selecionados e com menor torrefação, entre clara e média.
Café faz bem para a saúde?
Consumido com moderação, sim. Estudos associam o consumo regular de café à melhora da atenção, memória e disposição, além de possíveis efeitos protetores contra doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer.
A bebida também pode ajudar no metabolismo, contribuir para o funcionamento intestinal e oferecer ação anti-inflamatória graças aos antioxidantes presentes nos grãos.
Quando o café vira problema?
O excesso é o principal risco. Doses elevadas de cafeína podem causar taquicardia, ansiedade, azia, dores de cabeça, irritabilidade e alterações no sono.
A recomendação mais aceita é limitar o consumo a até 400 mg de cafeína por dia, cerca de quatro xícaras de café coado. E vale lembrar: energéticos, refrigerantes e alguns chás também entram nessa conta.
Quem deve tomar cuidado
Alguns grupos precisam moderar ou evitar o consumo:
- Pessoas com gastrite, refluxo ou úlceras;
- Quem sofre de ansiedade ou insônia;
- Indivíduos com problemas cardíacos;
- Pessoas com osteoporose;
- Gestantes, lactantes e crianças.
Outro ponto importante é o açúcar. O ideal é consumir o café puro ou usar pequenas quantidades de alternativas como canela, mel ou estévia.
No fim, o café mais saudável costuma ser aquele consumido sem exageros, com grãos de boa qualidade e preparado da forma que melhor se encaixa na rotina —e no organismo— de cada pessoa.
*Com informações de reportagens publicadas em 30/09/2023 e 28/10/2024.
Fonte: uol




