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Qual é a melhor opção: manteiga ou margarina? Entenda o debate segundo a ciência

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2026

Poucas discussões alimentares parecem tão eternas quanto a rivalidade entre manteiga e margarina. De um lado, a manteiga carrega a fama de produto mais natural, mas rica em gordura saturada e colesterol. Do outro, a margarina surgiu como alternativa vegetal, sem colesterol, embora marcada por anos de desconfiança em relação às gorduras industriais.

A verdade é que, apesar das décadas de debate, especialistas afirmam que ainda não existe um consenso definitivo sobre qual delas é realmente “melhor” para a saúde. A escolha depende do contexto alimentar, da frequência de consumo e das condições individuais de cada pessoa.

O que muda entre manteiga e margarina?

Antes de comparar os impactos na saúde, é preciso entender como cada produto é feito.

A manteiga é produzida a partir do creme do leite de vaca pasteurizado, com ou sem adição de sal. Já a margarina é composta por água, óleos vegetais e outros ingredientes usados para dar textura, sabor e estabilidade ao produto.

Durante muito tempo, a manteiga foi vista como vilã por conter colesterol e gordura saturada, combinação associada ao aumento do risco cardiovascular quando consumida em excesso. Atualmente, recomendações internacionais seguem orientando moderação no consumo de gorduras saturadas, que devem representar menos de 6% das calorias diárias.

A margarina, por ser vegetal, não contém colesterol, embora contenha gordura saturada. Mas o problema histórico do produto estava na presença da gordura trans, produzida durante o processo de hidrogenação dos óleos vegetais.

O fim da gordura trans mudou a margarina

Até recentemente, a maioria das margarinas utilizava óleos vegetais hidrogenados, processo que alterava a estrutura química das gorduras e gerava a gordura trans, hoje amplamente associada a doenças cardiovasculares.

Com a proibição da gordura trans industrial no Brasil, novas técnicas passaram a ser usadas para manter a consistência cremosa da margarina. Uma das principais é a interesterificação, método que reorganiza as moléculas de gordura para melhorar textura e estabilidade.

Especialistas alertam, porém, que esse processo ainda levanta dúvidas científicas. Existe a possibilidade de formação residual de pequenas quantidades de gordura trans, além de alterações na digestão e absorção de nutrientes. A interesterificação também pode aumentar o teor de gordura saturada do produto.

Até o momento, os impactos metabólicos e cardiovasculares dessas gorduras modificadas ainda seguem em investigação.

Afinal, existe uma opção mais saudável?

Apesar das diferenças, nutricionistas afirmam que olhar apenas para um alimento isolado pode ser simplista demais. O efeito da manteiga ou da margarina depende do padrão alimentar como um todo.

Quantidade, frequência de consumo, nível de atividade física, presença de doenças metabólicas e qualidade geral da dieta influenciam muito mais do que a simples troca entre um produto e outro.

Uma pessoa com diabetes ou resistência à insulina, por exemplo, pode não obter benefício algum ao substituir manteiga por margarina se continuar consumindo grandes quantidades de carboidratos refinados. Nesses casos, especialistas sugerem priorizar pães com menor carga glicêmica, feitos com farinhas como amêndoas ou coco.

Para pessoas saudáveis, fisicamente ativas e com alimentação equilibrada, nem manteiga nem margarina costumam ser proibidas, desde que consumidas em pequenas quantidades.

O problema pode estar no excesso

Nutricionistas reforçam que tanto manteiga quanto margarina devem funcionar como acompanhamentos, e não como principal fonte de gordura da alimentação.

O excesso é o que mais preocupa. Aquele pão “encharcado” de manteiga ou margarina, por exemplo, aumenta rapidamente a ingestão calórica e de gorduras saturadas.

Por isso, especialistas recomendam diversificar as fontes de gordura da dieta e priorizar alimentos ricos em gorduras insaturadas, consideradas mais benéficas ao organismo. Entre elas estão azeite de oliva extravirgem, abacate, castanhas, sementes e peixes gordurosos.

No fim das contas, a ciência ainda não escolheu uma vencedora absoluta entre manteiga e margarina. O consenso atual aponta para outro caminho: equilíbrio, variedade alimentar e moderação continuam sendo mais importantes do que demonizar um único alimento.

*Com informações de reportagem publicada em 06/10/2023.

Fonte: uol

 

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