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Produção de leite atinge recorde no Brasil, apesar da redução do número de vacas

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2026

A produção de leite no Brasil alcançou o recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume representa crescimento de 2,7% em relação a 2024 e marca o terceiro ano consecutivo de expansão. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.

O resultado ocorreu mesmo com a redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que passou para 14,7 milhões de animais. O total é o menor registrado desde 1979, quando havia 14,9 milhões de cabeças. O recorde histórico de vacas ordenhadas foi alcançado em 2011, com 23,2 milhões.

Produtividade do leite aumenta

A combinação entre menor número de animais e maior produção indica avanço na produtividade das propriedades leiteiras. Entre 2024 e 2025, a produtividade cresceu 5,6%, chegando ao recorde de 2.498,7 litros por vaca.

Segundo o IBGE, entre os fatores relacionados ao aumento estão as condições climáticas favoráveis, os investimentos em melhoramento genético do rebanho e a reorganização da base produtiva.

Esse processo também envolve a saída de produtores, principalmente aqueles menos especializados ou com menor capacidade de investimento. O analista da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, explica que a atividade exige recursos em mão de obra e tecnologia, o que favorece produtores com maior capacidade de realizar esses investimentos.

Sul lidera produtividade e produção

A região Sul apresentou a maior produtividade do país em 2025, com média de 4,3 mil litros de leite por vaca. Na sequência aparecem Sudeste, com 2,9 mil litros; Centro-Oeste, com 2 mil litros; Nordeste, com 1,7 mil litros; e Norte, com 957 litros.

O Sul também foi a principal região produtora, responsável por 34% do volume nacional. O Sudeste respondeu por 33,5%, seguido pelo Nordeste, com 18%; Centro-Oeste, com 9,8%; e Norte, com 4,6%.

Entre os estados, Minas Gerais liderou a produção, com 10,1 bilhões de litros. Paraná registrou 4,8 bilhões, Rio Grande do Sul produziu 4,2 bilhões, Santa Catarina alcançou 3,4 bilhões e Goiás chegou a 2,9 bilhões de litros.

Entre os municípios, Castro, no Paraná, ficou na primeira posição, com 532,8 milhões de litros produzidos em 2025. Carambeí, também no Paraná, registrou 306,8 milhões. Na sequência aparecem Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões; Patrocínio (MG), com 178,7 milhões; Lagoa Formosa (MG), com 161,1 milhões; Coromandel (MG), com 150,3 milhões; Orizona (GO), com 138 milhões; Arapoti (PR), com 137,2 milhões; Itaíba (PE), com 133,7 milhões; e Poço Redondo (SE), com 130,6 milhões.

Valor da produção chega a R$ 89,5 bilhões

O valor da produção de leite alcançou R$ 89,5 bilhões em 2025, considerando a quantidade produzida e o preço médio pago ao produtor. O resultado representa alta de 2,3% em relação ao ano anterior, sem correção pela inflação.

O preço médio do litro ficou em R$ 2,44, mesmo valor registrado em 2024. Do total produzido, 75,2% foi destinado à indústria. O restante teve outros destinos, como consumo próprio e fabricação de queijos artesanais.

O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite e possui o terceiro maior rebanho de vacas ordenhadas.

Pecuária também registra recordes

A Pesquisa da Pecuária Municipal reúne dados sobre diferentes atividades da pecuária e da aquicultura, além de produtos como mel, lã e ovos. Em 2025, o valor total da produção pecuária chegou ao recorde de R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2% em relação a 2024. A produção de leite de vaca respondeu por 63,4% desse valor.

O número de galináceos, que inclui galos, galinhas, frangos e pintos, também atingiu recorde, com 1,6 bilhão de cabeças, crescimento de 1,6%. A quantidade de galinhas chegou a 293,3 milhões, o maior número já registrado.

A produção brasileira de ovos alcançou 5,7 bilhões de dúzias, aumento de 5,7% em um ano. Para Octavio Costa de Oliveira, o avanço está relacionado à maior demanda pelo produto, que pode funcionar como alternativa mais acessível à proteína da carne em determinados cenários de renda e preços.

O analista também cita a procura por uma alimentação considerada saudável e o uso de ovos pela indústria de massas alimentícias como fatores de demanda.

Rebanho bovino recua

O número de cabeças de gado caiu pelo segundo ano consecutivo e chegou a 234,3 milhões de animais em 2025. Esse foi o menor volume desde 2022, quando o rebanho somava 234,9 milhões de cabeças.

Segundo Octavio Costa de Oliveira, o movimento está relacionado ao ciclo da pecuária. O abate de fêmeas em anos anteriores pode reduzir posteriormente a capacidade de reprodução do rebanho, enquanto as condições de preço da carne e dos bezerros influenciam a decisão de reposição.

São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, manteve a liderança entre os municípios com maior rebanho, com 2,7 milhões de cabeças.

As exportações brasileiras de carne bovina in natura também registraram recordes em 2025. O volume cresceu 21,4% e o faturamento aumentou 42,5% em relação ao ano anterior. A China permaneceu como principal destino, recebendo 53,3% da carne brasileira exportada.

Outros segmentos também alcançaram marcas históricas. Os rebanhos de caprinos e ovinos chegaram a 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais, respectivamente. A produção de mel atingiu 71,3 mil toneladas, enquanto a de camarão chegou a 172,4 mil toneladas.

A produção de peixes cresceu 7,1% e totalizou 783 mil toneladas. A tilápia representou quase 70% desse volume.

Fonte: cenariomt

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