Os preços do etanol registraram forte recuo na última semana no mercado spot do estado de São Paulo, em um movimento que chama atenção pelo ritmo e pela intensidade das quedas. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada indicam que tanto o etanol hidratado quanto o anidro apresentaram desvalorizações superiores a 7%, pressionados por um conjunto de fatores que envolve oferta crescente e demanda ainda retraída.
Entre os dias 13 e 17 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado foi cotado a R$ 2,5920 por litro, valor livre de ICMS e PIS/Cofins, representando uma queda de 7,01% em relação ao período anterior. Já o etanol anidro fechou a R$ 2,9575 por litro, sem PIS/Cofins, com retração de 7,43% na mesma base de comparação.
O resultado chama atenção porque marca a volta do preço do anidro para abaixo dos R$ 3 por litro — patamar que não era registrado desde 1º de agosto do ano passado.
Negociações ainda travadas
Mesmo com a queda nos preços, o mercado segue com ritmo moderado. Segundo pesquisadores do Cepea, houve uma leve melhora nas negociações, mas ainda concentradas em volumes pequenos e transações pontuais.
As distribuidoras continuam adotando uma postura cautelosa, postergando ao máximo a reposição de estoques, enquanto os compradores permanecem retraídos, aguardando possíveis novas quedas.
Oferta cresce e pressiona cotações
Do lado da oferta, o cenário é de maior agressividade por parte dos vendedores. O início das operações de novas unidades produtoras tem ampliado o volume disponível no mercado, contribuindo para a pressão baixista sobre os preços.
Esse aumento na disponibilidade, combinado à demanda ainda contida, ajuda a explicar o movimento de desvalorização observado nos últimos dias.
Incertezas ampliam cautela no setor
Além dos fatores imediatos de oferta e demanda, o mercado também convive com um ambiente de incerteza. De acordo com o Cepea, agentes do setor seguem apreensivos diante de variáveis internas e externas.
Entre as principais preocupações estão o avanço da produção de etanol de milho na safra 2026/27, que tende a ampliar ainda mais a oferta, e o comportamento das cotações internacionais do açúcar, que influenciam diretamente as decisões das usinas sobre o mix de produção.
Esse conjunto de fatores mantém o mercado em compasso de espera, com tendência de volatilidade nas próximas semanas.
Fonte: cenariomt





