Turismo

Por que é tão difícil esquecer Fernando de Noronha: entenda o fenômeno da Neuronha

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2026

Voltei de uma recente viagem a Fernando de Noronha me sentindo estranha. Uma certa melancolia, uma sensação de vazio, olhar perdido e uma obsessão por ver e rever fotos e vídeos daqueles dias. Contei dos meus “sintomas” para um amigo que mora na ilha e ele foi certeiro: isso é Neuronha, amiga.

Fui pesquisar e descobri que o termo nasceu como uma brincadeira entre moradores e trabalhadores da ilha, da fusão entre “neurose” e “Noronha”. O neologismo era usado para descrever os efeitos do isolamento prolongado – da sensação de confinamento à convivência intensa em uma comunidade pequena, muito antes de qualquer Big Brother. Com o tempo, porém, o significado acabou se invertendo. Hoje, a expressão costuma remeter justamente ao oposto: ao encantamento pela ilha, à vontade de prolongar a estadia e ao desejo urgente de voltar ao arquipélago sempre que possível. Na esteira desse novo sentido, até uma marca de roupa foi criada tirando partido do termo.

A Neuronha existe, amigo leitor, e eu sou a prova viva disso. A ilha de fato merece a fama que tem e todos que puderem deveriam visitá-la ao menos uma vez na vida – ou várias. Faço aqui o relato da minha viagem com dicas para você planejar a sua.

Taxas

Fernando de Noronha é um destino que exige planejamento. Além da hospedagem e das passagens, há taxas obrigatórias que precisam entrar na conta. A primeira é a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), que é calculada de acordo com o número de dias da viagem. Em 2026, ela começa em R$ 105,79 para um dia e aumenta progressivamente conforme a duração da estadia. No meu caso, para 4 dias, esse custo foi de R$ 423,17. Saiba mais sobre a TPA.

A segunda é o ingresso do Parque Nacional Marinho, que não é obrigatório, mas é altamente recomendável para se ter acesso a algumas das praias mais lindas da ilha, como a Baía do Sancho, a praia do Leão e diversas trilhas. Custa R$ 192, válida por 10 dias. Saiba mais sobre o ingresso do parque nacional.

Fachada de um estabelecimento com paredes cor de pêssego e detalhes em vermelho vibrante. À esquerda, uma prancha de surfe branca com detalhes coloridos. A porta de entrada vermelha revela um interior escuro com cadeiras brancas. Acima da porta, uma placa branca com o nome ABENÇOADO. Duas janelas vermelhas com plantas verdes dentro. Em frente, um vaso branco com planta e um cavalete de lousa preta com a frase TEMOS COCO VERDE. À direita, um banco de madeira. A luz do sol cria sombras na parede

Passeios imperdíveis

Com mais de uma dezena de praias, Noronha oferece opções para os mais diversos perfis. Entre os passeios que fiz, destaco três.

Ilhatur

Passeio de um dia inteiro que passa por alguns dos lugares mais bonitos. Se eu pudesse dar uma dica, seria: faça logo ao chegar. Além de visitar praias e mirantes famosos, o percurso ajuda a entender melhor Noronha e até a decidir onde vale a pena voltar nos dias seguintes com mais calma (de táxi ou ônibus). O roteiro inclui paradas para banho na perfeita Baía do Sancho e uma espiada na maravilhosa praia do Leão (nas duas você terá que mostrar o ingresso do parque nacional, que pode ser tanto o QR code no celular quanto o ingresso comprado na bilheteria do Centro de Visitantes no Boldró).

Águas Claras Noronha (R$300 por pessoa no buggy coletivo ou privativo a partir de R$ 1800 para duas pessoas; saiba mais)

Vista aérea de uma praia paradisíaca com mar azul-turquesa e areia dourada. No primeiro plano, uma passarela de madeira com corrimão metálico serpenteia por uma encosta coberta de vegetação seca. Três pessoas observam a paisagem do mirante, uma delas tirando foto. Ao fundo, uma ilha rochosa emerge do oceano e montanhas verdes emolduram a costa. O céu está claro e azul

Canoa havaiana

Outra atividade que eu recomendo muito é a canoa havaiana ao nascer do sol. O passeio dura em média 2 horas. A saída acontece ainda de madrugada, na Praia do Porto. Pouco a pouco, o céu começa a mudar de cor enquanto dezenas de canoas avançam mar adentro – e são grandes as chances de receber a visita de golfinhos. Em alguns pontos, também há parada para um mergulho rápido antes de voltar para a praia. Prepare-se para remar o tempo todo com o grupo que estiver na sua canoa. E nada de fazer remada curtinha, apelidada lá de bracinho de dinossauro, e nem passar manteiga no pão, só tocando o remo na superfície. Embarcou, tem que remar.

Águas Claras Noronha (R$220 por pessoa; saiba mais)

Mulher de óculos escuros e colete salva-vidas cinza e azul rema em canoa no mar. O sol se põe no horizonte, iluminando o céu com tons alaranjados e nuvens esparsas. Ao fundo, ilhas e barcos pontilham a paisagem marítima

Barco

Se existe um passeio que combina perfeitamente com o clima de Noronha é o tour de barco ao entardecer. Na opção coletiva, você faz o passeio em catamarãs. Eu fiz o tour privativo em uma lancha e que durou cerca de 4 horas. Navegamos pela costa, passamos por ilhas menores, fizemos paradas para banho e ainda aproveitamos um churrasco de peixe servido a bordo. O encerramento foi em frente à Baía do Sancho, justamente na hora em que o sol começa a se pôr. No nosso caso, o espetáculo ganhou um bônus: uma família de golfinhos acompanhou a embarcação por boa parte do trajeto.

Águas Claras Noronha (passeio privativo com churrasco a partir de R$ 4950 para duas pessoas, mais R$ 300 por pessoa adicional; saiba mais)

Vista da proa de um barco, com o Morro do Pico em Fernando de Noronha ao fundo. O morro é uma formação rochosa escura e pontiaguda, coberta por vegetação verde exuberante. O mar azul-turquesa ocupa o primeiro plano, com a costa arenosa e mais vegetação à esquerda. O céu azul claro tem nuvens brancas esparsas

Onde comer

Nos últimos anos a gastronomia de Noronha subiu muito no quesito qualidade e, dos endereços que conheci, destaco três.

Abençoado

À direita de quem chega na Cacimba do Padre, o cardápio ganhou desde o fim de 2025 a assinatura do chef paraibano Onildo Rocha, que comanda o Notiê no terraço do Shopping Light, em São Paulo. A proposta valoriza ingredientes da região, peixes frescos e preparos na brasa, tudo com clima descontraído e pé na areia. É uma ótima pedida tanto para um almoço sem pressa quanto para um pós-praia. De entrada, meu favorito foi o sanduíche de peixe com maçã verde e creme de wasabi (R$ 80). Entre os principais, feitos na brasa, destaco a lula (R$ 260) e o camarão (R$ 320), que estavam divinos. Aberto de segunda a sábado das 11h30 às 18h. Saiba mais.

Mini sanduíches com pão redondo, recheio de peixe empanado, molho branco, cebola roxa e folhas verdes, espetados com palitos de madeira, servidos em uma bandeja de madeira escura com guardanapos brancos

Cacimba

Um dos restaurantes mais tradicionais da ilha é comandado pelo chef Auricélio Romão. O ambiente mistura referências praianas, decoração maximalista com personalidade e uma atmosfera animada, especialmente à noite, quando costuma ter DJ tocando música brasileira. O cardápio tem forte influência da cozinha nordestina e dos frutos do mar locais. O pastel de lagosta (R$ 182) faz jus à fama, foi um dos melhores que comi na vida. Para sobremesa, recomendo a Cartola, banana da terra com queijo manteiga na chapa (R$ 68,98). Funciona todos os dias das 12h às 23h. Saiba mais.

Ambiente de restaurante com teto de palha, lustres de conchas e paredes brancas decoradas com peixes e estrelas do mar de cerâmica, mesas de madeira com pratos e talheres

Pousada Morena

Uma das maiores surpresas da viagem foi o restaurante da Pousada Morena. Mesmo quem não está hospedado pode comer por lá. O cardápio passeia por frutos do mar, carnes e clássicos brasileiros muito bem executados. O polvo balsâmico (R$188) estava no ponto perfeito, macio e cheio de sabor. O picadinho (R$150) também merece destaque. É aquele tipo de restaurante que consegue agradar tanto quem quer aproveitar os ingredientes da ilha quanto quem procura pratos mais tradicionais. Funciona todos os dias das 12h às 22h. Saiba mais.

A escolha da hospedagem

Muita gente encara o hotel apenas como um lugar para dormir. Eu penso diferente. Principalmente em destinos como Fernando de Noronha, a hospedagem também faz parte da experiência da viagem.

Desta vez, fiquei no Hamares Boutique, um dos hotéis mais sofisticados da ilha e dono de uma vista difícil de superar (ai, Neuronha). A área da piscina fica de frente para o Morro do Pico.

À esquerda, fachada de um prédio moderno com janelas grandes e portas de madeira, cercado por gramado, arbustos e uma árvore frondosa. À direita, interior de um quarto com cama arrumada, teto de madeira, luminária pendente de palha e uma janela com vista para uma montanha e vegetação

O hotel conta com 20 acomodações distribuídas em 3 categorias, o que contribui para a atmosfera mais exclusiva e intimista. Eu fiquei na Villa Master Mar, um quarto com 82 metros quadrados, piscina privativa e a mesma vista privilegiada para o Morro do Pico. A cama quase jogou contra mim porque era difícil querer levantar. E o banheiro era muito amplo.

Além das acomodações, o hotel tem academia, spa e um café da manhã generoso, com buffet e também ovos e tapioca à la carte. O atendimento é muito gentil.

Diárias a partir de 2500 reais; reserve aqui

Melhor época

De julho a novembro o mar fica mais calmo e transparente e também é a época mais procurada. Como dizem os moradores, é quando o mar deita, fica uma piscininha, cristalino e com ótima visibilidade para mergulho e snorkel. Entre agosto e novembro, as chuvas são menos frequentes e os dias tendem a ser mais ensolarados.

De dezembro a março é a temporada das ondas e do swell, que pode inviabilizar o banho em boa parte das praias por conta das ondas fortíssimas – a praia do Porto e a do Leão costumam ter melhores condições em dias de swell. Para quem surfa, em compensação, é a melhor época, principalmente na Cacimba do Padre. Ainda é possível mergulhar, mas o mar nem sempre tem a calmaria e a visibilidade de outros meses. O Réveillon é quando as festas mais fervidas acontecem.

Março a julho são meses menos movimentados e com maior chance de chuva, especialmente entre abril e junho – geralmente são pancadas e nem sempre comprometem os passeios. Eu mesma visitei Noronha em maio e peguei dias de sol, mar bonito e temperaturas agradáveis. Mais importante do que buscar o mês perfeito é entender qual tipo de vibe você procura: mar cristalino, ondas para surfar, ferveção ou uma ilha mais tranquila e menos disputada?

noronha

Dicas extras

– Fernando de Noronha está uma hora à frente do horário de Brasília.

– Sente na janela do lado esquerdo do avião para ter a vista de cartão-postal na chegada: o Morro Dois Irmãos em sua perfeição.

– Leve protetor solar, repelente e remédios que costuma tomar. Como praticamente tudo chega à ilha de barco ou avião, alguns produtos podem ficar em falta ou custar muito mais caro.

– Pague a Taxa de Preservação Ambiental e o ingresso do Parque Nacional antes da viagem para evitar filas na chegada ao aeroporto.

– Até muito pouco tempo atrás, Noronha tinha um aeroporto abaixo da crítica. Em maio deste ano foi entregue o novo terminal que triplicou a capacidade de atendimento, inclusive com uma sala VIP no lado de fora; saiba mais.

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Fonte: viagemeturismo

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