Mato Grosso

Pesquisa UFMT: Avanços e Desafios na Representatividade Negra na Universidade

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word2

A produção científica brasileira começa, aos poucos, a refletir melhor a diversidade da sociedade, mas ainda carrega marcas profundas de desigualdade estrutural. É o que revela a pesquisa “Pesquisadores negros na universidade: representatividade, discursos e posicionamentos valorativos em foco”, apresentada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), trazendo à tona dados estratégicos para o planejamento institucional e para o fortalecimento das políticas de inclusão na ciência.

Coordenado pela pesquisadora Jozanes Assunção Nunes, docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL/UFMT), o estudo nasce com um objetivo claro: transformar percepções em dados concretos, capazes de orientar decisões e políticas públicas dentro do ambiente universitário. A proposta, segundo a coordenação, foi construir um diagnóstico institucional baseado em evidências, permitindo compreender quem produz ciência, quem ocupa espaços de decisão e quem tem acesso às oportunidades de internacionalização acadêmica.

Avanços reais, mas ainda desiguais

Os resultados mostram que houve crescimento na presença de pesquisadores negros ao longo dos anos, reflexo de políticas públicas e ações afirmativas implementadas no ensino superior brasileiro nas últimas décadas. No entanto, a pesquisa evidencia que essa presença ainda não ocorre de forma homogênea dentro da carreira acadêmica, especialmente quando se observam posições de liderança, coordenação de projetos e participação em redes internacionais de pesquisa.

Esse cenário dialoga com estudos nacionais sobre políticas afirmativas, que apontam que a adoção de cotas raciais ampliou o acesso de estudantes negros ao ensino superior e trouxe impactos positivos na trajetória acadêmica e profissional desses grupos, sem prejuízo ao desempenho coletivo nas instituições.

Na prática, isso significa que o acesso tem avançado, mas a permanência qualificada e a ascensão dentro da estrutura universitária ainda enfrentam barreiras históricas e estruturais.

Dados que viram ferramenta de gestão

Um dos diferenciais do projeto é a entrega de produtos práticos para a gestão universitária. Entre eles, está um painel interativo desenvolvido em Power BI, permitindo acompanhar indicadores sobre participação de docentes e técnicos na pesquisa científica, além de materiais como policy brief, infográficos e conteúdos de divulgação científica.

A proposta é clara: transformar dados em estratégia. Ao combinar análise quantitativa, análise documental e escuta qualificada de pesquisadores negros, a pesquisa cria uma base sólida para decisões institucionais mais assertivas e alinhadas com a promoção da equidade racial na ciência.

Recomendações que apontam para o futuro

Entre os encaminhamentos sugeridos pelo estudo estão a ampliação de editais afirmativos, programas de mentoria acadêmica, reserva de vagas em programas de mobilidade internacional e a criação de mecanismos permanentes de monitoramento racial da produção científica.

A expectativa é que essas ações permitam não apenas ampliar a diversidade na ciência, mas também garantir permanência, progressão na carreira e acesso a espaços estratégicos dentro da universidade.

Ciência mais diversa, sociedade mais representada

O projeto, desenvolvido em parceria com pesquisadores da UFMT, Unemat, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade de São Paulo (USP), reforça uma tendência global: quanto mais plural é a ciência, mais robusta e socialmente conectada ela se torna.

Nesse contexto, a pesquisa se posiciona como instrumento estratégico para fortalecer uma ciência que represente melhor a sociedade brasileira, ampliando vozes, experiências e perspectivas dentro da produção do conhecimento.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.