A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a Operação Gorjeta para apurar um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares envolvendo recursos da Câmara Municipal de Cuiabá. A investigação resultou na imposição de medidas cautelares contra os alvos, no bloqueio de valores em contas bancárias e no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
As apurações indicam que agentes públicos e particulares teriam atuado de forma coordenada para direcionar verbas de emendas a um instituto e a uma empresa privada, com posterior retorno ilícito de parte dos recursos ao parlamentar responsável pela destinação. O caso é conduzido pela Deccor e tramita sob sigilo parcial.
Entre os investigados estão o vereador Chico 2000 (PL), o chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior, Joaci Conceição Silva, assessor do vereador Mario Nadaf, além dos empresários João Nery Chiroli, Alex Jony Silva e Magali Gauna Felismino Chiroli. Conforme informações da polícia, o grupo teria se associado para viabilizar o repasse irregular das emendas.
Segundo a investigação, os recursos públicos teriam sido direcionados à empresa Chiroli Uniformes e a um instituto, e parte do montante retornaria ao vereador envolvido. A Deccor aponta indícios de corrupção e lavagem de dinheiro, hipóteses que ainda serão aprofundadas com a análise do material apreendido durante a operação.
No âmbito judicial, o Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá determinou a aplicação de três medidas cautelares diversas da prisão. Os investigados estão proibidos de manter contato entre si e com testemunhas, não podem acessar as dependências da Câmara Municipal de Cuiabá nem da Secretaria Municipal de Esportes, e tiveram restringida a saída da comarca, com entrega obrigatória dos passaportes.
Também foi autorizado o bloqueio inicial de R$ 676.042 em contas bancárias vinculadas a nove pessoas físicas e jurídicas. Além disso, houve o sequestro de bens, incluindo sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis, medida que busca assegurar eventual ressarcimento ao erário.
Mandados e próximos passos
A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis. O objetivo, de acordo com a Deccor, é ampliar a coleta de provas e esclarecer a dimensão do suposto esquema de desvio de emendas.
O caso segue sob investigação em Mato Grosso. A polícia deve concluir a análise dos materiais apreendidos antes de definir novos encaminhamentos, que podem incluir indiciamentos e o envio do inquérito ao Ministério Público. As informações foram confirmadas pela própria Delegacia Especializada de Combate à Corrupção.
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Fonte: cenariomt






