O número de consumidores brasileiros com restrições no crédito apresentou uma leve redução em junho de 2026, interrompendo a sequência de altas registradas nos últimos meses. De acordo com o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, o país encerrou o mês com 74,80 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a 44,62% da população adulta.
Na comparação com maio, houve uma retração de 0,30% no total de consumidores negativados. Apesar da pequena melhora, a quantidade de brasileiros com dificuldades para quitar compromissos financeiros continua elevada e demonstra que o orçamento das famílias segue pressionado.
Os dados revelam ainda que o crescimento anual da inadimplência foi impulsionado principalmente pelos consumidores que permanecem com débitos em aberto entre quatro e cinco anos, faixa que registrou aumento de 38,32%.
Segundo a CNDL, o cenário reforça que grande parte das famílias ainda enfrenta dificuldades para equilibrar despesas essenciais com a renda disponível. A entidade avalia que o elevado custo de vida e a pressão sobre o orçamento doméstico continuam limitando a capacidade de pagamento da população.
Faixa etária concentra maior número de inadimplentes
O levantamento aponta que a maior concentração de consumidores com nome negativado está entre pessoas de 30 a 39 anos, grupo que reúne 18,15 milhões de inadimplentes. Nessa faixa etária, mais da metade da população adulta (53,55%) possui alguma restrição financeira.
Em relação ao perfil dos devedores, a distribuição permanece equilibrada entre os gêneros, com 51,34% de mulheres e 48,66% de homens.
Sul lidera crescimento da inadimplência
Na comparação com junho do ano passado, a Região Sul registrou a maior expansão no número de consumidores inadimplentes, com avanço de 10,67%. Na sequência aparecem o Norte (8,57%), Centro-Oeste (6,89%), Sudeste (6,43%) e Nordeste (3,96%).
Já quando se observa a proporção da população adulta com restrições no CPF, o maior índice continua concentrado na Região Norte, onde 48,45% dos adultos estão inadimplentes. No extremo oposto está a Região Sul, com 40,53%.
Dívida média passa de R$ 5 mil
Em junho, cada consumidor inadimplente acumulava, em média, R$ 5.152,52 em débitos, distribuídos entre aproximadamente 2,33 empresas credoras.
O estudo também mostra que 29,23% dos devedores possuem dívidas de até R$ 500, enquanto 41,52% concentram valores inferiores a R$ 1 mil.
Para o SPC Brasil, a pequena redução registrada no mês não altera o quadro estrutural da inadimplência no país. A entidade destaca que fatores como renda insuficiente, informalidade e baixa educação financeira continuam dificultando a recuperação da capacidade de consumo das famílias.
Contas em atraso continuam aumentando
Embora o número de consumidores inadimplentes tenha diminuído ligeiramente, a quantidade de dívidas registradas em atraso cresceu 13,32% em relação a junho de 2025. Na comparação mensal, entretanto, houve queda de 0,59%.
Entre os segmentos credores, as maiores altas foram verificadas nas contas de água e energia, que avançaram 22,16%, seguidas pelos serviços de comunicação (17,16%) e pelas instituições financeiras (11,42%). Em contrapartida, as dívidas ligadas ao comércio apresentaram leve redução de 0,14%.
Os bancos continuam concentrando a maior parcela das pendências financeiras, respondendo por 65,76% do total das dívidas. Em seguida aparecem os setores de água e energia (10,78%), outros segmentos (9,45%) e comércio (8,29%).
Na distribuição regional das dívidas em atraso, o maior crescimento foi observado novamente na Região Sul, com alta de 17,06%, seguida pelo Norte (15,45%), Centro-Oeste (12,69%), Sudeste (12,48%) e Nordeste (9,10%).
Fonte: cenariomt





