Mato Grosso

MPMT oferece curso em Mato Grosso sobre julgamento com foco em gĂȘnero e direitos humanos

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Em Mato Grosso, o MinistĂ©rio PĂșblico do Estado de Mato Grosso (MPMT) deu inĂ­cio, nesta quarta-feira (12), ao primeiro mĂłdulo do curso de extensĂŁo “Julgamento com Perspectiva de GĂȘnero e MinistĂ©rio PĂșblico”.

O encontro reĂșne membros e servidores da instituição para aprofundar debates sobre a garantia dos direitos humanos, a equidade de gĂȘnero e o combate a discriminaçÔes estruturais no Ăąmbito jurĂ­dico.

A formação Ă© realizada pelo Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de ViolĂȘncia DomĂ©stica e Familiar Contra a Mulher e GĂȘnero Feminino (CAO VD) em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT.

Aprimoramento da Justiça e papel constitucional

A abertura da atividade foi conduzida pela promotora de Justiça Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira (coordenadora adjunta do CAO VD) e pelo promotor de Justiça Caio Mårcio Loureiro (coordenador do Ceaf).

A promotora de Justiça Ana Carolina frisou que a perspectiva de gĂȘnero no Direito nĂŁo constitui privilĂ©gio, mas sim um vetor de precisĂŁo tĂ©cnica e humanização das decisĂ”es:

“A perspectiva de gĂȘnero nĂŁo representa um privilĂ©gio ou uma ruptura com a imparcialidade. Ao contrĂĄrio, constitui um instrumento de aperfeiçoamento da justiça, permitindo identificar vulnerabilidades histĂłricas e assegurar que a aplicação do direito ocorra de forma mais efetiva, humana e compatĂ­vel com os princĂ­pios constitucionais”, afirmou.

Jå o promotor Caio Mårcio Loureiro apontou a importùncia do aperfeiçoamento permanente para cumprir as diretrizes fundamentais da Carta Magna:

“O MinistĂ©rio PĂșblico, nesse contexto, precisa ser o protagonista e entregar a promessa que a Constituição Federal fez a toda a nação brasileira. Essa legitimidade constitucional do MinistĂ©rio PĂșblico passa, especialmente na atualidade, pela perspectiva de gĂȘnero”, destacou.

Ação estratégica e enfrentamento às causas estruturais

A palestra magna do mĂłdulo inicial foi proferida pelo desembargador do Tribunal de Justiça do ParanĂĄ (TJPR), Eduardo Augusto SalomĂŁo Cambi, com o tema “O Papel do MinistĂ©rio PĂșblico na Defesa dos Direitos Humanos: Atuação Extrajudicial e Judicial”.

O palestrante ressaltou que a busca pela igualdade exige superar a “neutralidade abstrata” que muitas vezes mascara realidades de opressão e vulnerabilidade:

  • Atuação preventiva e resolutiva: Defesa do uso de procedimentos extrajudiciais para solucionar as causas das lesĂ”es aos direitos humanos, evitando o acĂșmulo de demandas repetitivas.

  • Transversalidade dos Direitos Humanos: Aplicação dos conceitos protetivos constitucionais e internacionais em todos os ramos do Direito.

  • Prevenção da revitimização: Mecanismos didĂĄticos e institucionais para proteger vĂ­timas de violĂȘncia de gĂȘnero durante o andamento de processos jurĂ­dicos.

Próximos passos da formação

A capacitação terĂĄ o seu segundo e Ășltimo mĂłdulo realizado no dia 24 de agosto, quando o desembargador Eduardo Cambi voltarĂĄ a palestrar sobre o tema “O Protocolo de Julgamento e sua RepercussĂŁo na Atuação do MinistĂ©rio PĂșblico”, abordando a aplicação prĂĄtica do protocolo estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Fonte: cenariomt

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