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Investigação: Vereadores sob suspeita por plano contra Flávia Moretti durante confinamento

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A investigação que culminou na deflagração da Operação Cathedra Venalis, nesta terça-feira (20), teve início durante o chamado “confinamento” de vereadores de Várzea Grande em uma chácara no Distrito da Guia, às vésperas da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. O encontro foi articulado pelo então candidato à reeleição para a presidência do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), que disputava o comando da Casa com Lucas do Chapéu do Sol (PL).

As primeiras informações chegaram ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) por meio de uma denúncia anônima registrada como notícia de fato. A comunicação apontava a suposta existência de uma organização formada por vereadores de Várzea Grande e mencionava possíveis crimes de extorsão, chantagem, corrupção passiva e cárcere privado, além de uma articulação para garantir a permanência de Wanderley no comando do Legislativo. As acusações deram origem às diligências, mas, naquele momento, ainda precisavam ser verificadas pelos investigadores.

Segundo informações obtidas pelo Olhar Direto, a denúncia indicava que uma reunião seria realizada em 13 de maio, com o objetivo de consolidar apoio político à candidatura de Wanderley à Mesa Diretora. Também apontava uma possível articulação para a formação de maioria parlamentar que, futuramente, poderia ser utilizada na abertura de um procedimento de cassação contra a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL).

O grupo de vereadores já estava reunido havia na propriedade rural. Conforme os elementos iniciais da investigação, mais de dez parlamentares permaneceram no local enquanto aguardavam a sessão que definiria o comando da Câmara.

A eleição acabou sendo realizada em 14 de maio, véspera do aniversário de Várzea Grande. Wanderley foi reeleito por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol, candidato apoiado pelo grupo político da prefeita Flávia Moretti.

A denúncia inicial apontava que a propriedade utilizada para reunir os parlamentares pertenceria ao vereador Miguel Júnior (Cidadania). O relato recebido pelo Gaeco mencionava ainda que o grupo estaria sob vigilância de homens armados enquanto permanecia no imóvel.

Também havia a suspeita de que dinheiro em espécie estaria sendo utilizado para compra de votos na eleição da Mesa Diretora. Essa informação fazia parte da denúncia que provocou a abertura da investigação e não significava, naquele momento, que a prática já estivesse comprovada.

A comunicação apresentou aos investigadores os nomes de Wanderley Cerqueira, Cilcinho, Braz Jaciro, Alessandro Moreira, Wender Madureira, Sargento Galibert, Miguel, Lucélia de Oliveira Moreira, Gisa Barros, Kleberton Feitoza, Raul Curvo, Émerson Enfermeiro e Flávio de Oliveira Silva.

Também foram fornecidos números de telefone e a localização apontada como sendo a da chácara. Os contatos telefônicos dos parlamentares não são divulgados pela reportagem.

A partir dessas informações, investigadores passaram a realizar diligências para conferir a denúncia. Um dos primeiros levantamentos feitos pela área de inteligência do Gaeco registrou intensa movimentação de pessoas na propriedade rural e identificou, entre os presentes, os vereadores Miguel Júnior e Braz Jaciro.

A existência do encontro na chácara já havia se tornado assunto público na época da eleição. Após o pleito, Flávia Moretti chegou a criticar o episódio e afirmou considerar inadequado que vereadores permanecessem reunidos dessa maneira antes da votação. Nesta terça-feira, após a operação, o vereador Sargento Galibert confirmou publicamente que esteve na propriedade, mas negou que tivesse ocorrido pagamento para obtenção de votos.

Eleição foi anulada pelo STF

Apesar de Wanderley ter vencido a disputa contra Lucas por um voto, a eleição realizada em maio foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro Dias Toffoli considerou que a escolha da Mesa para o biênio 2027/2028 havia ocorrido de maneira excessivamente antecipada. A decisão derrubou o entendimento do Tribunal de Justiça de Mato Grosso que havia permitido a realização da eleição naquele momento. Posteriormente, Toffoli também rejeitou recurso da Câmara e manteve a anulação.

Operação nesta terça-feira

Cinco meses depois daquele episódio, o Gaeco deflagrou a Operação Cathedra Venalis, destinada a aprofundar as apurações sobre possíveis negociações de vantagens indevidas relacionadas à eleição da Mesa Diretora e outros crimes contra a Administração Pública.

A operação cumpre 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares de Cuiabá.

Fonte: Olhar Direto

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