O médico Euller Gustavo Preza, que atuou na cirurgia plástica que resultou na morte da paciente Lurdes Maria Padilha na sexta-feira (16), em Cuiabá, tem formação pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Plástica (CBCP). No entanto, o profissional não possui registro da especialidade junto ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). Apesar disso, Euler não estava impedido de realizar o procedimento.
O CBCP confirmou que o médico Euller Gustavo Preza integra o quadro da entidade e tem formação e experiência na área. A manifestação ocorreu no domingo (18), em meio aos questionamentos sobre a qualificação do profissional após a morte de Lurdes.
Conforme registros da entidade, Euller Preza integra o quadro associativo desde o ano de 2011, na categoria de Membro Efetivo, tendo ascendido à categoria de Membro Titular em 2018. Ele possui especialização na área desde 2008, com certificado emitido pelo próprio Colégio de Cirurgia Plástica, e acumula diversos cursos de aperfeiçoamento.
“O CBCP informa que está acompanhando o caso, que envolve o Dr. Euller Preza, médico integrante de seus quadros, profissional com formação e experiência na área da cirurgia plástica”, reforça o comunicado.
Diante de toda repercussão do caso, a CBCP informou que acompanha os desdobramentos e pediu cautela na avaliação do episódio. A entidade destacou que complicações graves podem ocorrer mesmo quando os procedimentos são realizados por médicos qualificados e em hospitais com estrutura adequada.
A entidade também ressaltou que a ocorrência de uma complicação, isoladamente, não permite concluir que houve erro médico.
“É importante ressaltar que intercorrências graves, embora infrequentes, podem ocorrer mesmo em procedimentos realizados por profissionais qualificados e em ambientes hospitalares adequados. A ocorrência de uma complicação, por si só, não caracteriza erro médico ou conduta inadequada”, afirmou.
Conforme apurado pelo Olhar Direto, Euler possui registro regular no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), porém, não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Vale destacar que, conforme a Lei nº 3.268/1957, o médico regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina está legalmente habilitado à prática de atos médicos, inclusive cirúrgicos. No caso, ele não está impedido de realizar cirurgias plásticas ou outros procedimentos médicos. Ele apenas não é considerado especialista e não pode se identificar como tal.
Somente após concluída uma residência médica reconhecida pelo MEC, ou uma especialização com prova de título aplicada pela respectiva sociedade médica da especialidade, em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB), o profissional consegue o RQE no CRM. Pós-graduações em geral e outros cursos não dão direito ao RQE.
Em sua manifestação, o CBCP ainda pediu que sejam evitadas conclusões antecipadas sobre o caso, enquanto as autoridades apuram as circunstâncias da morte.
A manifestação ocorre após a morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, na sexta-feira (16), durante uma cirurgia plástica em Cuiabá. O Conselho Regional de Medicina e a Polícia Judiciária Civil investigam o caso. Além do caso de Lurdes, Euller consta como parte em processo que contesta os serviços prestados por quatro médicos, sendo ele um deles, a uma paciente que faleceu em 2013.
Em ordem proferida em setembro, a juíza Ester Belém Nunes, da 1ª Vara Cível de Várzea Grande, manteve a participação na ação dele, Nadia dos Anjos Fernandes, Fabiana Mariela Diaz Lafoz e Josenalda Felix Flores Aratani, bem como ordenou perícia no caso.
O Olhar Jurídico apurou que o médico é alvo de operação por fraudes de R$ 35 milhões na Saúde de Mato Grosso, do Ministério Público (MPE), relacionado a suposto desvio em contrato sem licitação de R$ 3 mi com a Prefeitura de Chapada e mais de R$ 450 mil em pedidos de indenizações decorrentes de cirurgias plásticas possivelmente mal executadas.
Fonte: Olhar Direto





