A Psiquiatria estabeleceu-se como especialidade médica no final do século XVIII, quando Philippe Pinel, na França, libertou os doentes mentais das correntes que os aprisionavam, iniciando a partir dali o processo de humanização desta área da medicina.
Foi, então, que as doenças mentais foram reconhecidas e classificadas em diferentes diagnósticos psiquiátricos. Desde então, a relação terapêutica exige um comportamento próximo e empático.
Com a evolução da medicina e, consequentemente, da psiquiatria, principalmente com o surgimento da psiquiatria biológica, houve necessidade de dividir o trabalho psiquiátrico com outros profissionais, expandindo-se a psiquiatria a uma área maior, denominada de saúde mental. Foi quando surgiu a psicologia, que também evoluiu, e passou a caminhar com as próprias pernas e não mais apenas complementando o tratamento psiquiátrico.
Ainda assim, desde sempre, manteve-se a figura do médico próximo, com ouvidos atentos, não apenas aos sintomas descritos pelo paciente, como também a sua história de vida passada e atual, que contribui muito com a compreensão do doente e direcionamento do seu tratamento.
Nessa relação, observa-se o valor da empatia, assim como da confiança desenvolvida na relação terapêutica, em que há o paciente de um lado e um profissional capaz de compreendê-lo, interpretar seus pensamentos e ações, ainda que sejam advindos de sinais não verbais. Enfatize-se aí a complexidade da empatia e da intuição humana.
Como vimos, a psiquiatria evoluiu assim como evoluiu também a tecnologia. Hoje os computadores não se satisfazem com simples respostas às nossas perguntas, querem nos dar soluções aos nossos problemas.
É difícil afirmar que um dia serão ou não capazes de substituir na totalidade a mente humana, mas hoje, mesmo que direcionemos nosso olhar a um futuro distante, não conseguimos ver essa possibilidade. Deixar a intuição, a interpretação e a empatia do ser humano a cargo de uma máquina é, sem dúvida, um comportamento de risco que pode levar a consequências desastrosas.
Justificar o uso da IA pela disponibilidade da máquina vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, ou pela maior adesão ao tratamento daqueles pacientes que evitam o contato social, reduzindo barreiras é, no mínimo, evitar frustrações e enfrentamentos que podem e devem ser trabalhados na relação terapêutica convencional. Esta sim, é capaz de evitar que a busca de ajuda não humana se transforme na continuação do problema.
A IA pode ajudar na organização de tarefas e testes ou organização de prontuários, que já seria um grande suporte aos profissionais, apenas a estes, não aos pacientes. O que muitos veem como solução, nós vemos com muito cuidado. Os debates entre a visão tecnológica e a preocupação da ciência têm sido frequentes. A máquina promete um desempenho cada vez maior, além da capacidade humana; a ciência não reconhece tal possibilidade.
Apesar do entusiasmo de muitos, não devemos denominar os Chatbots de terapêuticos, uma vez que podem trazer danos à saúde mental além de prejuízos éticos, uma vez que dados são cruzados para formar respostas e o cruzamento de dados pode levar a vazamentos de Informações confidenciais, divididas com a máquina.
Ainda é cedo para mensurar os prejuízos à saúde mental, mas já começaram a surgir alguns relatos de transtornos psicóticos e aumento dos riscos de suicídio atribuídos à inteligência artificial, o que é muito preocupante e que nos leva a pensar em providências a serem tomadas rapidamente. A mente humana é extremamente complexa e somente outra mente humana pode compreendê-la, e mesmo assim parcialmente.
Somente outra mente humana consegue escolher e percorrer o caminho mais seguro e adequado em busca dessa compreensão. Faltam neurônios às máquinas para alcançar esse objetivo. Chatbots são máquinas e máquinas não pensam.
Fonte: primeirapagina






