A sanidade vegetal foi o foco da palestra “Plantas específicas quarentenárias: o papel do produtor na garantia do acesso ao mercado externo”, apresentada pelo pesquisador Alexandre Ferreira da Silva, da Embrapa Milho e Sorgo, durante o segundo dia da TecnoShow Comigo, realizada entre os dias 6 e 10 de abril, em Rio Verde (GO).
Durante a apresentação, o pesquisador destacou que a sanidade vegetal é um fator determinante para a manutenção das exportações brasileiras, especialmente no comércio com a China. “O tema é estratégico, porque a sanidade vegetal é fator determinante para a manutenção das exportações brasileiras de grãos, especialmente para a China”, afirmou.
Ele reforçou a relevância do setor para a economia nacional, lembrando os números expressivos das exportações recentes. “A exportação de grãos do Brasil se destaca como um importante componente do PIB agrícola da nossa economia. Na safra 2024/2025, a exportação de soja atingiu mais de 108 milhões de toneladas, com valor FOB de US$ 43,5 bilhões, e o milho cerca de 40 milhões de toneladas, com valor FOB de US$ 8,6 bilhões”, destacou.
Segundo o pesquisador, manter esse desempenho exige atenção rigorosa às exigências dos mercados compradores. “Para sustentar esses números, é vital cumprir os requisitos fitossanitários dos países importadores, que visam proteger seus territórios contra pragas ausentes”, pontuou.
Risco de embargo e perdas totais
Ao longo da palestra, Alexandre alertou que, diferentemente de problemas de qualidade comercial, como umidade ou grãos quebrados, que resultam apenas em descontos, falhas sanitárias podem inviabilizar completamente uma exportação. “A presença de apenas uma semente de uma planta daninha quarentenária pode levar à eliminação total da carga e ao embargo”, afirmou.
Ele destacou ainda o efeito em cadeia que esse tipo de ocorrência pode provocar. “A contaminação de um único talhão pode comprometer toda a cadeia, desde a unidade armazenadora até a logística e a confiabilidade do exportador, podendo resultar na suspensão do porto ou até de todo o grão brasileiro pelo país importador”, explicou.
A China, principal destino da soja brasileira, exige rigor no cumprimento de protocolos sanitários. “Esse relacionamento comercial depende de uma conformidade rigorosa. Recentemente, tivemos alertas e episódios de embargos devido à identificação de sementes de plantas quarentenárias em cargas brasileiras”, ressaltou.
Dados da Abiove indicam que 91% das ocorrências relacionadas a plantas quarentenárias em cargas destinadas à China envolvem espécies como capim-carrapicho, leiteiro, carrapichão, cravorana e tipos de sorgo selvagem.
Manejo integrado como solução
Diante desse cenário, o pesquisador enfatizou a importância do produtor rural no controle dessas ameaças. “É fundamental que o produtor compreenda seu papel estratégico na manutenção dos mercados internacionais, sabendo que uma falha pode comprometer toda a cadeia exportadora”, disse.
Como solução, ele defende a adoção do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), com foco na prevenção. “A estratégia deve priorizar o manejo preventivo, porque a prevenção é o método mais eficaz e econômico”, explicou.
Entre as medidas recomendadas, ele destacou a limpeza rigorosa de máquinas, especialmente colhedoras. “A regra de ouro é limpar antes de entrar e limpar antes de sair”, orientou. O uso de sementes certificadas também foi citado como essencial para evitar a introdução de espécies invasoras nas lavouras.
Outro ponto importante é o cuidado com as bordas das propriedades. “O efeito de borda facilita a disseminação de sementes pelo vento e pela movimentação, por isso essas áreas precisam estar sempre limpas”, ressaltou.
Além disso, Alexandre recomendou práticas complementares, como rotação de culturas, uso de plantas de cobertura, redução de períodos de pousio e manejo químico com rotação de mecanismos de ação. “O uso de herbicidas pré-emergentes também contribui para reduzir a competição inicial e aumentar a eficácia do controle”, concluiu.
A palestra reforçou que, em um mercado global cada vez mais exigente, a atenção aos detalhes no campo pode ser decisiva para garantir o acesso e a permanência dos produtos brasileiros no comércio internacional.
Fonte: cenariomt





