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Imigração no Brasil: Mais de 2 milhões de imigrantes enfrentam novos desafios sociais e econômicos

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2026

O Brasil reúne pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, provenientes de cerca de 200 nacionalidades diferentes e presentes em todas as unidades da federação. Entre os principais grupos estão venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. As estimativas indicam que cerca de 680 mil venezuelanos vivem no Brasil no início de 2026, com maior presença de mulheres e crianças de 0 a 14 anos.

Os dados fazem parte do 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), que reúne evidências sobre a política migratória brasileira e foi apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em Brasília. O documento traz recomendações voltadas à integração desses grupos na sociedade brasileira e à melhoria das políticas públicas.

O estudo subsidia a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), instituída recentemente por decreto e que substitui o marco legal anterior da área migratória.

As análises abrangem a evolução dos fluxos migratórios, pontos de entrada no país, composição por sexo e idade, distribuição territorial e estratégias de regularização. Também foram avaliadas condições de migrantes, refugiados e apátridas em áreas como trabalho, educação, proteção social e governança local.

Política de acolhimento e dados públicos

O representante da Agência da ONU para Refugiados no Brasil destacou a importância da transparência e da qualidade das informações sobre migração para a formulação de políticas públicas eficientes.

Segundo ele, o fortalecimento das bases de dados ajuda a enfrentar desafios relacionados à mobilidade humana e à proteção de pessoas em situação de deslocamento forçado.

O relatório também reforça que o Brasil mantém uma política migratória alinhada a princípios de direitos humanos e cooperação internacional, sendo considerada uma experiência de referência no cenário global.

Antes de uma reunião internacional prevista em Nova York, o governo brasileiro apresentou o documento como parte de sua contribuição ao debate global sobre migração segura e ordenada.

Trabalho e renda

No campo econômico, o relatório destaca o papel central do trabalho na integração de imigrantes.

O número de trabalhadores migrantes formais no Brasil cresceu 54% entre 2023 e 2025, ultrapassando 414 mil vínculos com carteira assinada. Cerca de 43% estão concentrados no setor industrial, especialmente na região Sul.

Pedidos de residência para fins laborais também aumentaram 68% entre 2022 e 2024, indicando maior demanda por mão de obra estrangeira no país.

Em 2025, mais de 201 mil venezuelanos estavam no mercado formal de trabalho, seguidos por haitianos e cubanos. Apesar disso, o estudo aponta que profissionais com alta qualificação enfrentam dificuldades de reconhecimento de diplomas e acabam inseridos em funções de menor remuneração.

O relatório recomenda medidas como reconhecimento de qualificações estrangeiras, ampliação da intermediação de mão de obra e redução de barreiras institucionais.

Outro ponto de atenção é a informalidade no trabalho doméstico, que atinge a maior parte dos trabalhadores migrantes nesse setor.

Proteção social

Os dados mostram aumento significativo da presença de migrantes em programas sociais do governo federal.

O número de migrantes cadastrados no Cadastro Único cresceu de 562 mil para 650 mil entre 2023 e 2024. A maioria é composta por mulheres, que representam 55,6% do total.

Também houve crescimento expressivo de crianças e adolescentes migrantes no sistema de assistência social, evidenciando a presença de famílias inteiras em situação de vulnerabilidade.

O estudo aponta ainda a ampliação do acesso ao Bolsa Família entre migrantes cadastrados e recomenda melhorias na gestão de acesso aos benefícios sociais.

Distribuição territorial

A concentração da população migrante está fortemente associada a grandes centros urbanos e estados com maior dinamismo econômico.

São Paulo lidera com mais de 140 mil registros, seguido por Paraná e Roraima, que também aparecem como importantes portas de entrada migratória.

Educação

A presença de estudantes migrantes na educação brasileira cresceu de forma significativa nas últimas décadas.

O número de matrículas saltou de cerca de 41 mil para mais de 224 mil entre 2010 e 2024, um aumento superior a 400%.

No ensino superior, também houve crescimento consistente, embora persistam desafios relacionados à adaptação linguística, inclusão pedagógica e permanência estudantil.

O relatório destaca a importância de políticas educacionais mais inclusivas, com atenção às condições de vida dos estudantes migrantes.

Governança local

Embora a política migratória seja responsabilidade federal, a execução dos serviços ocorre principalmente em estados e municípios.

O estudo defende maior integração entre os entes federativos para garantir atendimento mais eficiente à população migrante em todo o território nacional.

Também são recomendadas estruturas permanentes de acolhimento e políticas de interiorização com qualificação profissional, evitando a precarização do trabalho e promovendo inclusão social efetiva.

O relatório conclui que a consolidação da política migratória depende do fortalecimento da governança local e da articulação entre diferentes níveis de governo para garantir acesso a direitos básicos.

Fonte: cenariomt

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