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IA e desinformação impulsionam relevância do jornalismo crítico, diz professora

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2026

O avanço da inteligência artificial (IA) e a expansão da desinformação têm imposto novos desafios às escolas de comunicação e reforçado a necessidade de uma formação em jornalismo mais crítica, ética e voltada ao papel social da profissão.

Essa é a avaliação da professora Marluce Zacariotti, da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), que participa em Brasília do 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), realizado na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), com programação até o dia 24 de abril.

Segundo a pesquisadora, os pilares clássicos do jornalismo seguem fundamentais para a manutenção da confiança da sociedade em um cenário informacional cada vez mais complexo. Ela destaca que a resposta das instituições de ensino não passa apenas pela criação de novas disciplinas, mas pela integração transversal de temas como IA e combate à desinformação em toda a matriz curricular.

Para Marluce, a formação deve manter o foco em pesquisa jornalística e em metodologias sólidas de checagem de informações, com o apoio das novas tecnologias. No entanto, ela reforça que o elemento humano continua sendo central no processo de produção da notícia, especialmente diante da velocidade das transformações digitais.

A professora também defende o fortalecimento da extensão universitária como parte essencial do ensino, aproximando estudantes de diferentes públicos e realidades sociais. Nesse sentido, o curso de jornalismo, segundo ela, precisa manter sua natureza prática e conectada à sociedade.

Ela ressalta ainda a importância de compreender o novo ecossistema midiático, no qual plataformas digitais e grandes empresas de tecnologia desempenham papel central na circulação de informações. Nesse ambiente, algoritmos influenciam diretamente o que é consumido pelo público, exigindo maior capacidade crítica dos profissionais.

Outro ponto destacado é a necessidade de educação midiática para diferenciar o trabalho jornalístico do conteúdo produzido por influenciadores digitais, além de explicar ao público como as informações são construídas e contextualizadas.

A pesquisadora também alerta para mudanças no ambiente profissional, com maior presença de jornalistas em redações e menos atuação externa, o que, segundo ela, está relacionado também às condições de trabalho no setor. Ainda assim, reforça que o jornalismo continua sendo uma atividade coletiva e dependente da troca de experiências presenciais para enriquecer o processo de apuração e produção.

Para Marluce, o desafio atual não é rejeitar as tecnologias, mas compreender e utilizá-las de forma responsável, integrando-as ao fazer jornalístico sem abrir mão da ética, da crítica e da função social da profissão.

Fonte: cenariomt

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