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Glória Maria no Xingu: Primeira reportagem em HD da Globo, trajeto passou por Cuiabá até o Fantástico – Relembre

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2026

Na época em que transmissões em alta definição ainda parecia coisa de televisão do futuro, uma equipe de reportagem passou por Cuiabá, capital mato-grossense, com rumo ao Alto Xingu, carregando um tipo de equipamento de filmagem essencial para a estreia de uma nova tecnologia.

O ano era 2007, o destino da repórter Glória Maria era uma aldeia dos Kamayurá e o desafio era registrar a tradicional Festa do Pequi.

Tudo isso tinha que ser feito em formato de Alta Definição (High Definition, em inglês, ou HD) e enviado à equipe do Fantástico, inaugurando o novo formato de transmissões da televisão brasileira.

Mas, para que esse material chegasse à equipe nacional, foi necessária uma complexa operação técnica e logística, que contou com apoio da estrutura da TV Centro América, em Cuiabá.

Trecho de reportagem produzida no Xingu, em Mato Grosso, para o Fantástico. – Vídeo: TV Globo

Fantástico inaugurava o HDTV

Em dezembro de 2007, Glória Maria e o repórter cinematográfico Lúcio Rodrigues levaram ao Xingu a primeira câmera do jornalismo da Globo capaz de gravar em HD, em uma operação que teve Cuiabá como ponto de partida no estado mato-grossense.

A série ‘Mundos Invisíveis’, do astrofísico Marcelo Gleiser, foi o primeiro quadro do programa a ser transmitido em alta definição. Naquela semanal inaugura, as transmissões digitais prosseguiram com a exibição da novela ‘Duas caras’, de Aguinaldo Silva, e do ‘Globo Repórter’.

Na abertura da reportagem sobre os indígenas, Glória Maria conta que a equipe partiu de Cuiabá e percorreu cerca de 600 km até chegar à aldeia. Em determinado momento, a jornalista aparece dentro de um avião, sobrevoando o território dos Kamayurá depois de aproximadamente três horas de viagem.

O objetivo era mostrar ao público a cultura daqueles povos e registrar a Festa do Pequi, fruta de forte presença na tradição estadual. Durante uma semana, Glória Maria acompanhou a rotina da aldeia, participou de rituais, conheceu costumes e experimentou comidas típicas.

Alta definição e cenário especial

Para construir a reportagem, a equipe levou ao Alto Xingu a primeira câmera de alta definição utilizada pelo jornalismo da emissora, uma Sony F330 equipada com lente Canon HJ 22X HD, segundo o arquivo da História do Grupo Globo.

A reportagem escolhida para inaugurar o HDTV tinha também um forte apelo visual. Cores, paisagens, pinturas corporais e os movimentos da festa indígena ajudavam a evidenciar, na tela, as possibilidades da nova tecnologia.

Segundo Lúcio Rodrigues, o maior desafio durante as gravações era enquadrar as cenas para que funcionassem tanto no antigo formato SD, com proporção menor em relação ao HD.

Isso significava, na prática, evitar que informações importantes ficassem próximas às laterais da imagem e acabassem cortadas para quem ainda assistisse ao formato tradicional.

De Cuiabá ao Rio de Janeiro

A capital mato-grossense, portanto, não era apenas uma referência no mapa. Além de ter sido o ponto de partida e retorno da viagem da equipe carioca em Mato Grosso, o material gerado no Xingu não poderia chegar ao Rio de Janeiro sem o intermédio técnico da TV Centro América.

Naquele período, a afiliada da TV Globo ainda não tinha equipamentos com capacidade para capturar o sinal daquele conteúdo em alta definição, portanto, a reportagem não chegou a ser incorporada ao acervo da emissora.

O apoio ocorreu principalmente como uma ponte técnica: a equipe de Cuiabá intermediava a comunicação entre os profissionais que estavam na aldeia e as equipes responsáveis pelo recebimento do material no Rio de Janeiro, como explicou o setor de Tecnologia e Engenharia da TVCA.

Vale lembrar que a gravação da reportagem começou cerca de uma semana antes da exibição. Foram aproximadamente oito horas de material registrado no Xingu, que precisaram ser transformadas em cerca de dez minutos de televisão.

A reportagem completa pode ser assistida no site da Globoplay.

Glória Maria recebeu homenagem de indígenas

A escolha do tipo da reportagem produzida em solo mato-grossense e o momento de estreia da nova tecnologia combinavam justamente com a trajetória de Glória Maria, repórter e apresentadora lembrada por transformar lugares distantes em grandes histórias exibidas ao público.

Repórter da Globo desde 1971, Glória foi a primeira a entrar ao vivo e, em cores, no ‘Jornal Nacional’. De 1998 a 2007, apresentou o ‘Fantástico’ e, em 2010, passou a integrar a equipe do ‘Globo Repórter’.

A jornalista morreu, no Rio de Janeiro, no dia 02 de fevereiro de 2023 de câncer.

Após a morte, o povo Kamayurá homenageou a jornalista durante o Kuarup que aconteceu na aldeia Ipavu, em agosto daquele ano.

O Kuarup é um dos rituais mais importantes dos povos alto-xinguanos e acontece em homenagem aos mortos. Momento em que a comunidade, os parentes e amigos dos que se foram se unem aos espíritos para a grande despedida.

Fonte: primeirapagina

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