Elefantes africanos podem usar dezenas de espécies de plantas e minerais para tratarem a si mesmos e suas famílias quando estão doentes, como aponta um estudo realizado na região do Monte Elgon, no Quênia.
A pesquisa, publicada na revista científica Scientific Reports na última quinta-feira (24), identificou 35 espécies de plantas, pertencentes a 23 famílias, além de quatro tipos de solo, minerais ou argila utilizados pelos elefantes.
Os pesquisadores investigaram, ainda, conhecimentos de moradores da região e reuniram relatos que levantam a possibilidade de que os animais escolhem esses recursos com finalidade terapêutica quando pareciam estar doentes.
Toda a pesquisa foi feita em parceria com a organização de conservação Mount Elgon Foundation, ouvindo moradores da região, incluindo agentes de proteção da vida selvagem e líderes comunitários.
Elefantes podem usar até ‘boldo’ 🐘🌿
Em um dos depoimentos, um agente de proteção contou ter visto elefantes utilizando uma planta conhecida como Angurweet, popularmente associada ao boldo no Brasil, para tratar os filhotes. A espécie é usada localmente contra problemas como dor de estômago.
Em um dos relatos, por exemplo, mães teriam sido observadas mastigando determinadas plantas e depois misturando o material ao próprio leite antes de oferecê-lo aos filhotes.
A descrição levanta uma possibilidade ainda mais curiosa: a de que o conhecimento sobre quais plantas utilizar não esteja apenas relacionado ao instinto, mas também possa ser transmitido entre gerações.
Os relatos também apontaram comportamentos relacionados à alimentação, digestão e sinais de enfermidades, embora ainda não seja possível afirmar que cada planta tenha sido escolhida pelos animais especificamente por suas propriedades medicinais.
Vale lembrar que os pesquisadores apresentam evidências de possível automedicação, mas não afirmam que a capacidade dos elefantes de identificar e utilizar plantas medicinais esteja definitivamente comprovada.
A investigação se relaciona à chamada zoofarmacognosia, área que estuda como animais utilizam substâncias encontradas na natureza para prevenir ou tratar problemas de saúde.
Em entrevista à BBC News, a pesquisadora Elodie Freymann, da Brown University, nos Estados Unidos, explicou que o comportamento dos animais mostra o quanto “nossos medicamentos estão entrelaçados com o mundo não humano”.
Espécie ameaçada
No caso do Monte Elgon, muitos dos recursos utilizados pelos elefantes também fazem parte da medicina tradicional da população local, como cita o estudo. Isso não significa, porém, que os animais tenham aprendido o comportamento diretamente com os humanos.
Para os pesquisadores, a ‘coincidência’ reforça a necessidade de investigar melhor essas plantas e a forma como são utilizadas pelos elefantes africanos, espécie classificada como ameaçada.
Por isso, o estudo também aponta a importância de preservação desses animais e seus habitats.
Fonte: primeirapagina





