O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (2) que a compra de ienes realizada pelos americanos na semana passada foi “uma demonstração de amizade” com o Japão.

“Eles estão com um iene desvalorizado e queriam um pouco de ajuda. E nós sempre ajudaremos o Japão”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, o avião oficial da presidência americana, segundo informações da emissora CNN.

De acordo com a agência Associated Press, a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, emitiu um comunicado confirmando que a pasta comprou ienes em coordenação com o Departamento do Tesouro dos EUA. “Não hesitaremos em realizar novas intervenções conjuntas”, disse a ministra.

Segundo fontes do jornal britânico Financial Times, a Reserva Federal de Nova York vendeu na sexta-feira (31) euros em troca de ienes em nome do Tesouro americano, por meio dos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley, embora a quantidade de ienes comprada não tenha sido especificada.

A última vez que os EUA intervieram diretamente em relação ao iene havia ocorrido em 2011, em um esforço coordenado com outros países do G7 para estabilizar os mercados após a tragédia dos terremotos e do tsunami no Japão naquele ano, mas naquela ocasião foram vendidos ienes. A última vez que Washington e Tóquio se articularam para comprar ienes havia sido em 1998.

Nas últimas semanas, o dólar havia subido para quase 164 ienes, o valor mais alto desde 1986. Após a intervenção americana, nesta segunda-feira (3), a cotação do dólar caiu para menos de 160 ienes.

A moeda japonesa vinha se desvalorizando nas últimas semanas devido ao aumento dos custos de energia, impulsionado pela guerra no Irã, e também pela grande diferença entre as taxas de juros nos EUA e no Japão, o que levou investidores a vender ienes e comprar dólares para aproveitar os rendimentos mais altos dos ativos em dólares.

Aliado da primeira-ministra conservadora do Japão, Sanae Takaichi, o governo Trump já havia comprado diretamente pesos argentinos para ajudar o presidente Javier Milei antes das eleições legislativas de meio de mandato no país sul-americano, realizadas em outubro de 2025.