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Desenrola revela: mais de 500 anúncios falsos em golpes nas redes sociais

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2026

Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou que 544 anúncios falsos relacionados ao programa Desenrola foram divulgados em redes sociais entre 1º de abril e 14 de junho deste ano. A pesquisa aponta que o objetivo das publicações era aplicar golpes em usuários por meio de páginas e conteúdos enganosos.

O estudo analisou plataformas da Meta, incluindo Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads, Messenger e a Audience Network, utilizada para exibir anúncios em aplicativos de terceiros. Segundo os pesquisadores, as fraudes foram promovidas por 48 páginas diferentes.

A maior parte dessas páginas, um total de 34, utilizava diretamente o nome oficial do programa Desenrola, responsável por 278 anúncios fraudulentos. Outras 15 páginas divulgavam um suposto programa chamado “Libera Brasil”, inexistente, que apareceu em 264 anúncios. Uma única página combinava os dois nomes para tentar aumentar a credibilidade da fraude.

Criado em 2023, o Desenrola foi lançado pelo governo federal para facilitar a renegociação de dívidas dos consumidores. Em maio deste ano, o programa recebeu uma nova versão, período em que, segundo o Netlab, houve aumento na circulação dos anúncios enganosos.

Os pesquisadores lembram que os golpes começaram ainda em 2023, logo após o lançamento da primeira fase do programa. Naquele ano, o Ministério da Justiça determinou a retirada dos anúncios fraudulentos do ar e aplicou uma medida cautelar que resultou em multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta.

O levantamento mostra que 72% dos anúncios utilizavam indevidamente nomes, logotipos ou imagens do governo e de empresas privadas, como bancos e veículos de notícias. Além disso, 19,1% direcionavam vítimas para páginas que simulavam canais oficiais, enquanto 38,1% continham conteúdos produzidos com inteligência artificial.

De acordo com a diretora do Netlab, Marie Santini, a convivência de anúncios legítimos e fraudulentos nas mesmas plataformas dificulta a identificação dos golpes pelos usuários, aumentando o risco de vítimas fornecerem dados pessoais.

Após atrair o público para páginas falsas, os criminosos coletavam informações sigilosas e, em muitos casos, direcionavam as vítimas para conversas em aplicativos de mensagens, onde davam continuidade ao golpe.

O estudo também aponta que os fraudadores costumam recorrer a promessas financeiras irreais e mensagens de urgência para estimular cliques e ampliar o alcance das campanhas fraudulentas.

Marie Santini defende que as plataformas digitais adotem mecanismos mais rigorosos para verificar a identidade dos anunciantes e analisar previamente o conteúdo das campanhas publicitárias, além de responsabilizar empresas que permitam a circulação desse tipo de fraude.

Em nota, a Meta afirmou que o combate a golpes e fraudes é prioridade da empresa. Segundo a plataforma, tecnologias como inteligência artificial, modelos de linguagem e reconhecimento facial são utilizadas para identificar e remover conteúdos irregulares.

A empresa informou ainda que as denúncias de usuários sobre anúncios fraudulentos caíram mais de 50% entre meados de 2024 e o fim de 2025. Ainda conforme a Meta, em 2025 foram removidos mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos, sendo 92% identificados antes de qualquer denúncia, além da desativação de 10,9 milhões de contas ligadas a organizações criminosas no Facebook e Instagram.

A Meta acrescentou que não permite atividades fraudulentas em suas plataformas, utiliza sistemas automatizados e revisão humana para remover conteúdos que violem suas políticas e afirma colaborar com as autoridades brasileiras sempre que solicitado pela legislação.

Fonte: cenariomt

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