Cercada de quase 30 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares e com população estimada em mais de 11 mil pessoas que se autodeclaram quilombolas, a cidade de Poconé, distante a 104 km de Cuiabá, tem uma história remontada pela cultura e pessoas afrodescentes.
A cidade conhecida como a porta de entrada do Pantanal, tem a agropecuária, mineração e o turismo, como as principais fontes de renda. Marcada por diversas tradições, como a Cavalhada, a dança dos mascarados, as tradicionais festas de santo e ainda ser considerado o berço do lambadão, a cidade é formada majoritariamente por pretos que construíram a cidade com comportamentos que se tornaram culturas marcantes, mas que ao longo dos 245 anos do município foram esquecidos.
E assim, para mostrar as vivências e a história construída por pessoas que não são contadas nos livros, a Afrotour, a primeira agência de afroturismo de Mato Grosso, nasceu com esse propósito. A criadora é a jovem Bianca Rondon, natural de Poconé, que se formou em Turismo pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), em Cuiabá, e quis empreender na cidade em que vive como forma de retribuição e afeto ao local.
O que é o afroturismo? Afroturismo é um segmento do turismo cultural que valoriza a história, a memória, os saberes e a cultura da população negra, a partir do protagonismo de pessoas e comunidades negras, segundo o Ministério do Turismo.
Do sonho a realidade
A Afrotour agência nasceu em 2021. Bianca, em parceria com a antropóloga Polyana Queiroz, submeteram a ideia no edital do MT Criativo da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). A partir daí, elas iniciaram um processo de escuta com comunidades quilombolas, como Jejum, Chumbo, Morrinho e Capão de Angico. A proposta era simples, mas essencial: entender se essas comunidades queriam, de fato, receber visitantes.
“Muitas comunidades quilombolas já recebia estudantes e visitantes, mas fazia isso de graça e nem entendia como turismo. A gente trabalhou essa conscientização: isso é trabalho, isso gera renda”, contou.
O processo contou com a consultoria da plataforma Diáspora.Black, referência nacional em turismo afrocentrado, que ajudou a estruturar formações e capacitações junto às comunidades.
Rota Pantanal Negro: cultura, território e pertencimento
Entre os principais passeios da agência está a Rota Pantanal Negro, experiência de dia inteiro que une caminhada histórica pelo centro de Poconé, visita a ateliês de ceramistas da comunidade de Capão de Angico, vivência no Rancho São Jorge com culinária pantaneira, benzimentos e moda de viola e safari fotográfico na Rodovia Transpantaneira.
O roteiro foi incluído no Guia de Afroturismo do Brasil, elaborado pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur e a Unesco, colocando Poconé no mapa nacional do segmento.
“Esse reconhecimento mostra que o que a gente faz aqui tem valor, tem potência e dialoga com políticas públicas nacionais”, afirma Bianca.
Outros passeios incluem passagens pelos pontos históricos no centro de Poconé, além de comunidades próximas da área urbana. Confira imagens abaixo:
Tours por comunidades quilombolas
Confira abaixo imagens do Pantanal Negro passando por comunidades rurais do Pantanal.
Os valores variam entre R$ 80 e R$ 1.860, conforme a rota planejada por cada turista.
Um futuro construído coletivamente
A Afrotur já recebe visitantes de vários estados e de outros países. O objetivo agora é ampliar os roteiros, fortalecer novas comunidades e consolidar Poconé como referência em afroturismo no Centro-Oeste.
“O Pantanal é lindo e precisa ser visto, mas as pessoas também precisam ser conhecidas. Nossa história sempre esteve aqui. Agora, ela está sendo contada”, conclui Bianca. Confira um pouco do passeio.
Fonte: primeirapagina






