Não se sabe ao certo. O queixo é uma exclusividade nossa: nem chimpanzés, gorilas ou neandertais tinham a protuberância embaixo da boca. Dessa forma, fica difícil de entender como evoluiu.
Uma hipótese clássica é que o queixo ajudaria a reforçar a mandíbula contra o impacto da mastigação, funcionando como um amortecedor. Outra ideia é que ele teria ajudado na fala, estabilizando músculos ligados aos movimentos da boca e da língua.
Alguns pesquisadores também chegaram a sugerir que o queixo ajudaria a proteger a garganta e o pescoço. E existe ainda a hipótese da seleção sexual: ao longo da evolução, indivíduos com mandíbulas mais projetadas poderiam ter sido considerados mais atraentes.
Um estudo recente indica que talvez o queixo não tenha evoluído para cumprir nenhuma função específica. Segundo os pesquisadores, ele pode ser apenas um subproduto de outras mudanças importantes na anatomia humana.
A equipe analisou mais de 500 crânios de humanos e outros primatas e concluiu que o queixo provavelmente apareceu conforme nossa espécie desenvolveu rostos mais achatados, dentes menores e mandíbulas menos robustas. Essas mudanças estão ligadas à postura ereta, ao crescimento do cérebro e às transformações na dieta humana ao longo da evolução.
Com isso, a parte inferior da mandíbula acabou ficando relativamente mais projetada. Ou seja, o queixo pode ter surgido “por tabela”, como consequência indireta dessas transformações, e não porque oferecia alguma vantagem própria.
Esse tipo de característica é chamado “subproduto evolutivo”: uma estrutura que aparece durante a evolução sem ter sido diretamente selecionada para uma função específica.
Ainda assim, isso não significa que o queixo seja inútil hoje. Ele pode acabar auxiliando na mastigação, na fala ou na sustentação dos músculos faciais – mesmo que essa não tenha sido sua razão original de existir.
Fonte: abril





